Opinião
Pastoral carcer�ria
| Dom José Carlos Melo, CM * Dentro da missão evangelizadora da Igreja, existe uma preocupação sociotransformadora do evangelho na prática cotidiana. Por esse motivo desejo falar especificamente da Pastoral Carcerária. Órgão estruturado pela CNBB a serviço de todos os que sofrem, é participação no amor cuja origem é o Pai, e que nos foi manifestado pelo Cristo: ?Eles devem ser amados, eles precisam receber a Boa-nova e ser ajudados a vivê-la. Eis o critério primeiro de um verdadeiro espírito evangélico?. Esta Pastoral é um serviço específico a categorias de pessoas ou situações também específicas da sociedade atual. Nesta dimensão sociotransformadora, a partir da conscientização, da organização e mobilização, abrem-se caminhos alternativos. Mas é preciso chamar a atenção da Igreja e da sociedade para esse quadro de exclusão, apelando pela reintegração do indivíduo à sociedade. A Pastoral Carcerária não tem o objetivo de inocentar o detento infrator, mas tem a finalidade de concretizar em ações sociais e específicas a solicitude da Igreja diante de situações reais de injustiça e marginalização. Daí, a Igreja tem o papel de alertar os fiéis para a tarefa de identificar, entre os filhos e filhas de Deus, os rostos mais sofridos, como nos lembra o documento de Puebbla com vistas à dedicar-lhes uma solicitude pastoral própria. A dimensão sociotransformadora da ação da Igreja é constituída de quatro aspectos complementares e indissociáveis: sensibilidade para com os fracos e indefesos, solidariedade em frente a determinadas emergências, profetismo no combate à injustiça e espiritualidade libertadora. A sensibilidade se traduz num coração aberto a todo tipo de sofrimento, seja a cruz individual de cada pessoa humana, seja a cruz coletiva de grupos, setores e categorias inteiras condenadas à exclusão social. A solidariedade não exige somente que sejamos sensíveis. É preciso descruzar os braços, arregaçar as mangas e passar à ação. Um gesto, um mutirão, uma campanha, constituem expressões vivas da solidariedade, que é o novo nome da caridade. Na medida do possível, nossa arquidiocese tem procurado apoiar a Pastoral Carcerária para um melhor desenvolvimento da ação evangelizadora na Igreja. Uma equipe da nossa arquidiocese participará do Congresso das Pastorais da CNBB de 10 a 14 de novembro em São Paulo para um melhor enriquecimento das nossas ações pastorais. Que esta luta seja um propósito de vida e ao mesmo tempo uma consciência do dever cumprido, inspirados na afirmação do Pai da Caridade, São Vicente: ?Os pobres são meu peso e minha dor?. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.