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Opinião

Escravos dos h�bitos

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JOSÉ MEDEIROS * A vida moderna nos torna escravos de obrigações estressantes pela repetição de rotinas diárias muitas vezes levadas à exaustão e pela necessidade de cumprimento de horários, encontros e desempenhos. Somos escravos do tempo. Mas essa escravidão tem muitas outras faces imperceptíveis, que chamam menos a atenção: o uso de celular, por exemplo, ou da Internet, televisão, para citar os mais agradáveis. O celular é uma praga tecnológica. Numa reunião médica um colega atendeu a 10 telefonemas e fez outras tantas ligações que considerava indispensáveis; quando toca o celular do vizinho involuntariamente se pensa que é o próprio... Em matéria de televisão, a média nordestina diante da ?telinha? está em torno de quatro horas diárias. Uma brincadeira de mau gosto, um tanto racista e um tanto exagerada, diz que a Princesa Isabel libertou os negros e deixou os brancos trabalhando. A evolução da ciência genética mostrou que o caldeamento de raças que contribui para a formação do brasileiro nos faz portadores de genes negros e indígenas em razoável proporção. O trabalho do dia a dia é duro para todos. O mercado de trabalho é escasso e exige disputa acirrada. Na fase atual da chamada ?Sociedade da Informação? caminhamos para uma meritocracia de oportunidades, não basta apenas ser autoridade do diploma, mas, principalmente, autoridade do conhecimento que não se compra ou se recebe de favor. Preconceitos raciais devem ser desprezados e combatidos. Voltemos à rotina diária. Quem acorda às seis ou sete horas ao som estridente do despertador enfrenta um trânsito agressivo e jornada de trabalho excessiva necessita compensar sua bioquímica celular com muito lazer e muita alegria. E o pior é que essa rotina de tão repetida vira hábito, uma espécie de segunda natureza, da qual não conseguimos nos desvencilhar nem nos fins de semana, nem quando chega o momento da aposentadoria. Do livro recentemente editado ?Corpo Sem Idade, Mente Sem Fronteiras? retiro o seguinte trecho: ?Nos EUA e na Inglaterra, a aposentadoria compulsória aos 65 anos de idade funciona como uma data-limite arbitrária para a utilidade social da pessoa. Até a véspera do dia em que faz 65 anos, ela contribui com seu trabalho e seu valor para a sociedade; no dia seguinte passa a ser um dos dependentes dessa sociedade. Os resultados dessa mudança de percepção podem ser desastrosos. Nos primeiros anos após a aposentadoria as estatísticas de enfartes e câncer aumentam drasticamente e a morte prematura abate homens e mulheres que eram saudáveis até o dia em que se aposentaram?. Isso não quer dizer que devamos trabalhar ?exaustivamente? até ficarmos caducos, de bengala, Deus nos livre de tal. Mas essa experiência mostra que é necessário, ao mudarmos de rotina de trabalho, cuidarmos melhor de nossa mente e de nosso corpo. Que o estresse da labuta diária contribui para a antecipação do envelhecimento, não resta a menor dúvida. Insatisfação com o trabalho, trabalhar mais de 40 horas por semana de forma opressiva, preocupação com desemprego são fatores negativos, encurtam a vida. É um tema que merece ser refletido. (*) É MÉDICO

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