Opinião
Os m�rtires do v�o 1907
| Mirian Marinho Canuto * A notícia abala o País. Dois aviões chocam-se no ar. Nos Estados Unidos, um dos passageiros do Legacy, o jornalista, Joe Sharkey, denuncia a fragilidade do Sistema de Segurança do Tráfego Aéreo Brasileiro. Foi imediatamente contestado pelo Ministro Waldir Pires, que considerou levianas as declarações do americano. Há cinco anos, a TV Globo em oportuna reportagem, alertou o risco de colapso no Sistema de Controle Aéreo Brasileiro. Os controladores ouvidos nesta ocasião, compararam nosso Sistema a ?uma bomba-relógio? que precisava ser desmontada. E prosseguiram: ?a qualquer hora o Sistema poderá sair do ar e a Segurança do nosso Espaço Aéreo ficar comprometida?. Enfim, a bomba explode na tarde primaveril de 29 de setembro. Na maioria dos países, o controle do espaço aéreo, bem como, o da Aviação Civil, são responsabilidades de um mesmo órgão. São autarquias, altamente técnicas, com visão empresarial e econômica, e com capacidade de gerir seus próprios recursos. Com isso, eles têm um sistema transparente e confiável. A Anac ? Agência Nacional da Aviação Civil ? é a associação reguladora e fiscalizadora da aviação, mas não controla o espaço aéreo. Depois de instalada a crise, o Ministro Waldir Pires fala em desmilitarizar o setor. O especialista em Direito Aeronáutico, dr. Edmundo Lellis, declarou: ? Não é possível juntar no mesmo saco lobos e leopardos, e querer que nada aconteça?. A aviação aérea cresce a cada ano. As taxas de embarque sobem a cada dia, e não sabemos onde são aplicadas. Quatro mil vôos cruzam, diariamente, o nosso imenso Brasil. Enquanto o número de passageiros transportados aumenta, o investimento do governo federal em segurança no tráfego aéreo, há muito estacionou! A revista Veja, de 08/11, relata o descaso das autoridades com um serviço essencial para a sociedade, e enfoca a fragilidade do controle do tráfego aéreo do Brasil. Denuncia, ainda: 1,9 bilhões de reais do Fundo Aeronáutico, arrecadado com taxas de embarque, estão retidos no Tesouro, para ajudar a garantir o superavit nas contas federais. Há muitas especulações, análises, e até conclusões, mas ainda não se tem um laudo oficial da causa do acidente. O Brasil chorou junto aos familiares dos mártires do vôo 1907. Que eles, ao morrerem no céu brasileiro, brilhem como estrelas iluminando o nosso espaço aéreo e a mente dos nossos governantes. (*) É médica e empresária de turismo.