Opinião
Arquivo socorrido - Editorial
Dentre as realizações de seu exíguo tempo de gestão, o governador Luis Abílio terá registrado um marco importante. Depois de cerca de 10 anos de redobradas reclamações e protestos, o Arquivo Público de Alagoas está recebendo um tratamento adequado a seu valor. Não são novos os reclamos sobre a deficiência do Arquivo Público, precariedade que tem dificultado enormemente a pesquisa histórica em fontes primárias alagoanas. Antes dessa ação ampla desenvolvida neste governo, a última iniciativa de recuperação e organização daquele acervo data de meados de 1995, quando uma equipe especialmente enviada pela Fundação Joaquim Nabuco realizou uma operação de socorro e produziu um eloqüente relatório sobre a realidade, o valor e as dificuldades do órgão. Onze anos depois, os problemas certamente aumentaram muito, mas, felizmente, estão novamente sendo tratados com a devida importância. Melhor ainda, hoje, diferentemente de 11 anos atrás, não se trata de uma ação emergencial, mas de uma nova política implantada, com o apoio governamental e participação de entidades não-governamentais ligadas ao setor. Destaque-se que entre as entidades participantes desse Fórum Pró-Arquivo, participam representantes dos principais centros de educação de nível superior em Alagoas, o que confere a esse esforço a capacidade de ? além de recuperar o patrimônio documental e organizar o nosso principal arquivo ? evitar a ocorrência de soluções de continuidade, devendo esses centros de estudo desenvolver, simultaneamente ao trabalho de recuperação, várias e diversificadas pesquisas sobre o material paulatinamente restaurado. Registre-se esse mérito ao governo que prepara sua despedida de um efêmero mandato: lega para a posteridade a capacidade de se pesquisar sobre nosso rico passado, através da recuperação do Arquivo Público de Alagoas.