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O Brasil “hipocrisado”

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| Sérgio Costa * Por motivos eleitoreiros, Lula e Alckmin ressuscitaram o debate acerca das privatizações. Achei ótimo! É mais uma oportunidade para mostrar a hipocrisia que se escondeu por trás dos argumentos que motivaram o nosso processo de privatização. Prometiam que o dinheiro recebido seria utilizado para pagar nossas dívidas e que só assim haveria espaço para reduzir juros e tributos. Prometiam ainda que o Brasil caminharia na direção da eficiência dos gastos públicos e, finalmente, conquistaria a confiança do mercado como forma de estimular os investimentos necessários ao seu crescimento econômico. Promessas, apenas falsas promessas! Mesmo assim, não acho que as privatizações beneficiaram apenas os compradores. Não mesmo. Apesar de se falar que muita gente ganhou negociando numa tal bacia das almas, as empresas privatizadas devem estar gerando mais empregos e recolhendo mais tributos. Mas são os seus acionistas que estão colhendo os melhores frutos. De fato, em 2005 o lucro líquido da Vale do Rio Doce e da Usiminas foram, respectivamente, R$ 10.5 e R$ 4.0 bi. Uma maravilha! Aqui chegamos ao xis da questão. Admirar pode, mas se esboçar o menor sinal em defesa da estatização, os neoliberais dirão que se trata de delírio saudosista. E repetirão a antiga cantilena: administradas pelo Estado elas estariam servindo aos donos do poder político. Pior: a nação estaria pagando impostos para suportar o peso de suas más administrações. É plausível defender a idéia segundo a qual o mercantilismo não se coaduna com as funções do Estado? É. Mas precisamos analisar esses argumentos com o olho ético. Afinal, há promessas não cumpridas. Leitor, se os neoliberais falam a verdade, podemos afirmar que o homem, enquanto administrador público, não consegue controlar as fragilidades do seu caráter. Ora, se não consegue nas estatais como conseguiria administrando os nossos mais de 5.500 municípios e os 27 estados? Privatizando-os, por acaso? Os socialistas não devem concordar com isso. Preferem deixar tudo como está. Dizem que petróleo, energia, telefone e minérios, por exemplo, são atividades que merecem a atenção máxima do Estado. Devem ter suas razões para acreditar que a voracidade do lucro pode vulnerabilizar a economia do País. É isso, leitor, cada um defende seus interesses. Uma ideologia quer o lucro das estatais; a outra quer cabides de empregos. E o Brasil, como fica? Privatizado ou estatizado? Nem uma coisa nem outra, agoniza ?hipocrisado?. (*) É contador.

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