Opinião
Preocupante rumo - Editorial
Acontecimento após acontecimento vai confirmando o agravamento da insegurança pública. Os chamados ?arrastões? são apenas mais uma evidência disto. Manchete da edição de ontem, o arrobamento de 20 veículos durante um show na cidade de Paripueira deve ser entendido e estudado como uma tendência de crescimento do crime organizado. Evidentemente, bandos de ladrões de carros não podem ser tidos como iguais a uma quadrilha de traficantes ou de seqüestradores ? estes grupos são muito mais perigosos e organizados que aqueles, mas o crime é organizado quando as quadrilhas são capazes de agir em conjunto de acordo com um mínimo de planejamento e de forma sistemática. Rotulados como arrastões e tidos como lançados nas praias cariocas, as ações de bandos numerosos atacando grupos inteiros de vítimas têm crescido em Alagoas, mormente aproventando-se os marginais de eventos de massa. Shows e outros eventos (até desfiles públicos já foram alvo) capazes de reunir grande número de pessoas têm sido escolhidos para alvo dessa modalidade de assalto coletivo ? ao contrário da modalidade carioca, quando (pelo menos em sua forma inicial) os banhistas eram ?depenados? na areia da praia, sob sol a pino, a qualquer dia. Na modalidade alagoana, os eventos (e não o dia-a-dia) estão sendo escolhidos para alvo. Essa constatação simples deve orientar as ações defensivas da polícia e dos organizadores de eventos, além de orientar os próprios usuários na busca de prevenção. O imperdoável é desconhecer essa tendência criminosa. Como não existem no horizonte chances de modificação a curto prazo do perfil de grave crise social, é evidente o crescimento da marginalidade e, em conseqüência, tende a crescer o número de ações dos bandos de delinqüentes. Está aí um risco que não pode ser ignorado.