Opinião
Mapeamento cruel - Editorial
Assustador é o quadro brasileiro mostrado no Mapa da Violência 2006. O relatório, divulgado pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI), situa o Brasil num ranking de 65 países, como o primeiro lugar onde os jovens morrem mais por armas de fogo e o terceiro colocado, numa lista de 84, em que mais pessoas entre 15 a 24 anos são assassinadas. Esse documento ressalta ainda uma redução de 5,2% na taxa de homicídios entre 2003 e 2004, atribuída à Campanha do Desarmamento. É quase nada, mas pelo menos é algo positivo. É preciso que os governos, em todos os níveis (federal, estaduais e municipais) invistam o suficiente em recursos financeiros visando garantir condições de funcionamento das instituições de segurança pública. E apostem em programas de prevenção da violência, os mais diversificados, nos setores da educação e dos esportes, e também em atividades como o turismo e demais fontes geradoras de emprego e renda. E, acima de tudo isso, consigam atuar de forma coordenada, em parceria permanente entre as diversas forças policiais. As atenções em defesa da população não podem deixar de ser voltadas prioritariamente para as crianças, adolescentes e jovens mais facilmente influenciáveis e que vivem cercados de marginais nas denominadas áreas de risco existentes não mais apenas nas periferias das principais cidades brasileiras. Especialmente agora, com a constatação, pela citada instituição internacional, de que a violência das capitais está migrando para o interior, onde os números de homicídios superam os das regiões metropolitanas entre 1994 a 2004. Ou seja, estamos correndo um sério risco de ver generalizar em todo País o descontrole da violência como um todo e, em particular, do crime organizado. Uma onda que tem de ser detida.