Opinião
Guerra pela vida - Editorial
Certas campanhas deveriam ser permanentes, posto que seus alvos seguem desafiadores. É o caso da Aids. Após anos de exemplar carga na mídia, o esforço pela prevenção apresenta-se mais tênue, embora siga marcando presença. Não há motivo para arrefecer na campanha contra a Aids. O flagelo ainda cresce no mundo e no Brasil. Segundo relatório da ONU, o Brasil contabiliza 620 mil vítimas da Aids. Esse número representa nada mais nada menos que um terço do total de pessoas infectadas pelo HIV na América Latina. Essa mesma pesquisa da ONU indica uma queda, embora de pequena monta, no número de novos casos na América Latina, no decorrer dos últimos 12 meses. Pelos dados das Nações Unidas, cerca de 140 mil pessoas teriam contraído o vírus ?em 2006, contra 200 mil em 2005, ao mesmo tempo em que as mortes em decorrência da doença caíram de 66 mil para 65 mil?. Avalia também a ONU que esses números poderiam ser mais reduzidos se fossem incrementados os programas específicos de prevenção destinados aos homossexuais (esse grupo voltou a ser vítima do maior crescimento da contaminação pelo vírus HIV). Ainda segundo a Organização das Nações Unidas, dos 620 mil brasileiros presumivelmente infectados, cerca de 66% desconhecem sua própria condição de soropositivo. Todos esses dados colhidos e divulgados pela ONU só aumenta a certeza do erro em se reduzir a intensidade das campanhas preventivas contra a Aids no Brasil. É indispensável a retomada da publicidade governamental, massiva, ininterrupta, acerca da necessidade de uso de métodos simples e baratos, como as camisinhas. É indispensável incluir nos currículos das escolas (em todo País) a prevenção contra a Aids e demais doenças sexualmente transmissíveis. Não se pode recuar jamais nesta luta pela vida.