Opinião
Testemunho aterrador
| Dom Edvaldo G. Amaral * Reportagem da Organização Gánétique, divulgada na internet, informa que um relatório, transmitido pelo canal de televisão dinamarquês DR1, revelou que abortos são realizados na Espanha até com 8 meses de vida, com fetos saudáveis. O fato aconteceu porque uma repórter da DR1, grávida de 8 meses, recebeu proposta da Clínica MC de Barcelona para realizar aborto por 4.000 euros. Vários partidos políticos dinamarqueses (que não são lá primor de elevação moral...) exigem intervenção dinamarquesa junto à União Européia contra o que eles chamam de ?assassínio que está sendo cometido na Espanha?. ?O aborto provocado é um engano fatal; posso dizê-lo agora pelos muitos que já pratiquei? ? finalmente confessa um dos fundadores do movimento abortista, dr. Bernard Nathanson, famoso ginecólogo de Nova York. E continua em entrevista publicada pela revista salesiana de Bolonha: ?Em dez anos, como diretor do Centro para a Saúde Sexual e Reprodutiva (CRASH), de fevereiro de 1962 a setembro de 1973, sob minha direção foram realizados cerca de 60.000 abortos. De início, éramos poucos, apenas quatro, nossos meios limitados ? 7.500 dólares no 1º ano ? mas nossa idéia audaciosa era de mudar a lei do aborto. 99,5 % da opinião pública novaiorquina era contra a legalização. Nós quatro conseguimos em dois anos derrubar a lei antiaborto, que vigorava há 140 anos. Assim esta cidade tornou-se a capital do aborto na América. Três anos mais tarde, a nosso pedido, a Corte Suprema legalizou o aborto nos 50 Estados da Federação norte-americana. Em 1968, mediante sondagem mentirosa, divulgamos que 50 a 60% dos americanos eram favoráveis ao aborto provocado. Nossa tática era transformar os prováveis 100.000 a favor em milhões. Nossa campanha baseava-se no seguinte: convencer os mass media que antiabortistas eram os católicos, ou cripto-católicos, sujeitos à hierarquia vaticana, ao passo que abortistas eram todos pessoas esclarecidas, intelectuais, progressistas e que, exceto os católicos, ninguém mais nos EUA era antiabortista. E como eu mudei, tornando-me hoje sincero antiabortista? Explico. Deixando a Clínica em 1973, assumi a direção da Maternidade da Columbia Medical School e aí tomei contacto com as novas técnicas, como ultrassom, amniocentese, cardiotopografia, examinando a saúde do feto. Foi a ciência que me demonstrou a falsidade de meus antigos argumentos, convencendo-me de que a vida tem início a partir da concepção, desde a fecundação. A vida é um fio contínuo, do início ao fim. Não existe uma ?non-persona? que se transforme numa ?persona?. (*) É arcebispo emérito de Maceió.