loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Posicionamentos

Ouvir
Compartilhar

MARCOS DAVI MELO * A vitória da nossa seleção em seu primeiro jogo da Copa do Mundo, com uma providencial ajuda do juiz ? embora tivéssemos tido várias oportunidades perdidas e merecêssemos ao final a vitória -, abriu por momentos a rara possibilidade da discussão no País (por fugaz que o fosse), sobre uma questão capital que extrapola o futebol; vencer é importante, mas a que custo? Existem limites na ânsia de se conseguir superar o adversário? Existe espaço para a ética na realidade mercantilística do futebol e em maior escala ? no modus vivendi do mundo atual? Os exemplos no futebol, especialmente em copas do mundo passadas ? quando existia um quase amadorismo ? comparando-se com os dias atuais, nos são favoráveis. Entre os favorecimentos e os desfavorecimentos contabilizados, o saldo nos beneficia amplamente. Pode-se simplesmente dizer, isto é uma bobagem, afinal é apenas futebol e não tem maiores conseqüências nas outras coisas da vida real. É só a Lei de Gerson aplicada em nosso benefício, nos limites do possível, o futebol. Afirmarão os pragmáticos: nesta selva globalizada, onde na competição universal só temos desvantagens abissais na relação com os demais membros da comunidade internacional, principal quando defrontados com os mais poderosos, uma vitoriazinha no futebol, mesmo que alcançada ao final de uma forma irregular, é uma gota d?água em um oceano de vilanias imensas, que nos tiram todos os dias direitos muito mais importantes, em relação a coisas muito mais vitais, nos quatro cantos do mundo. Portanto, que se façam todos os esforços para se congelar os maltratados escrúpulos nossos, pelo menos durante esta Copa e possamos vencer os jogos por mérito ou por gol de mão, como o Maradona no México, ou mesmo de bunda, como apregoa o Veríssimo, em uma possível revanche com a França; o que nos resgataria em caso de vitória, o respeito perdido em campos de França em 98. Uma tarefa difícil mas não impossível. Temos adversários que aliam a organização tática ao talento individual, como a Argentina e a Itália, além de banco de reservas poderosos. As fraquezas mais flagrantes de nosso time, entre as quais, uma defesa onde até o Júnior Baiano teria lugar e, que nas bolas cruzadas os atacantes baixotes se agacham para cabecear entre os nossos altos defensores, sugere que o esquema com três zagueiros, embora os laterais não sejam mais especialistas em defender. Enfim, um esquema que possa ser identificado pelos torcedores e pelos jogadores. Mas a China, nosso próximo adversário, e mesmo a Costa Rica, o seguinte, não configuram maiores ameaças. Para as oitavas, também não existem grandes possibilidades de cruzarmos com equipes superiores. A partir das quartas, esperamos que as virtudes mais evidentes do time até agora ? a determinação, o empenho e individualidade -, superem a ausência de conjunto e de esquema tático e nos levem adiante, preferencialmente com a consciência tranqüila, de que o que se tenha conseguido ou não, o seja por mérito ou por sua ausência e não por balacubacos outros. E fica aberta para um momento adequado, quanto antes melhor, a discussão sobre este interessante tema: existe espaço para ética nas relações sociais entre nós? As próximas eleições poderão ser um momento adequado para o posicionamento da nossa sociedade diante desta questão? (*) É MÉDICO

Relacionadas