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Opinião

Lembrando Arnon de Mello

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| Anilda Leão * Havia uma admiração mútua entre meu pai, Joaquim Leão, e o jornalista Arnon de Mello. Quando Arnon vinha do Rio de Janeiro, os dois se reuniam no escritório ao fundo da nossa loja de ferragens para confabular. Meu pai, então deputado estadual, sempre comentava que Arnon um dia iria governar Alagoas, enquanto eu achava que aquele senhor exagerava em polidez ? até hoje tenho um livro de Cecília Meireles, com uma bela dedicatória feita por ele lá pelo fim dos anos 40. Em certa altura dos acontecimentos que antecederam as eleições para o governo, meu pai foi ao Rio levando-me consigo. Lá tomamos conhecimento da confirmação da candidatura de Arnon, que concorreria contra Silvestre Péricles. Naquela mesma ocasião, vim a conhecer a sua esposa, dona Leda, que me surpreendeu pela simplicidade e cordialidade com que nos recebeu. Eleito governador, após inesquecível campanha, Arnon nomeou meu pai prefeito de Maceió e ofereceu-me um emprego no Departamento de Estradas de Rodagens ? DER ?, o que foi recusado categoricamente, deixando-me frustrada. Ele não aceitava cargos para os seus enquanto estivesse no poder, revelando assim a firmeza de um caráter eminentemente ético. Meu pai, como prefeito, após dois anos de trabalho, e tendo conseguido sanear os cofres públicos do município, teve o desgosto de se ver sucedido pelo coronel Lucena. Esse fato, embora o deixasse magoado, não impediu que Arnon e dona Leda continuassem a ir a nossa casa, inclusive como apreciadores que eram da culinária de minha mãe. Políticos, não? Tanto meu pai como o governador conheciam os caminhos que poderiam levar o nosso Estado a melhores condições. Arnon sempre procurou ouviu os conselhos de quem sabia lidar com a gente simples, com longo aprendizado atrás do balcão da sua loja de ferragens, além de conhecer bem os meandros da política local. Quando se festeja a Semana Arnon de Mello, eu, que convivi, a princípio meio desconfiada com o casal governante, e depois acompanhando Dona Leda nas suas andanças pelos bairros mais pobres, levando abrigos para os necessitados, ou inaugurando a seção alagoana da Cruz Vermelha, a Escola de Enfermagem, a Aliança Francesa, a Sociedade de Cultura Artística e tantas outras instituições, não posso deixar de dar o meu testemunho ao bom trabalho realizado pelo casal Arnon de Mello. Tanto ele como a esposa deixaram em nosso Estado uma marca positiva que as comemorações da Semana Arnon de Mello realçaram com justiça. (*) É escritora.

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