Opinião
Palco do descaso - Editorial
Triste exemplo de como se multiplicar um problema: o descaso para com o Teatro Linda Mascarenhas. Desde julho, quando das chuvas, aquele local de cultura está entregue à própria sorte, num lamentável exemplo da cultura da irresponsabilidade para com os bens públicos. De julho a novembro esticam-se quase cinco meses, algo como 150 dias. Durante este tempo, a Natureza está cumprindo o seu papel, cuidando de reciclar as coisas, pois o tempo não pára, e como diria Lavoisier, na Natureza tudo se transforma. No caso do Teatro Linda Mascarenhas o patrimônio público está sendo literalmente transformado em pó. Uma pergunta que não pode ser calada: se o problema começou em julho, por que ? imediatamente ? não foram tomadas providências? Outra pergunta que teima em não ser silenciada: se fosse na sua casa, uma pingueira, por menor que fosse, seria ignorada? Se o caso tivesse ocorrido na casa de alguma das autoridades responsáveis pelo Teatro Linda Mascarenhas, alguma dessas pessoas deixaria a chuva e ir paulatinamente destruindo os móveis, as paredes, os carpetes e tudo mais? Certamente que se estivéssemos falando de um bem particular seu proprietário teria encontrado formas de salvar mais tudo o que pudesse. Teria até improvisado uma lona plástica para colocar sobre o telhado furado, buscando reduzir os vasamentos, teria tido o cuidado de ? na primeira hora de sol depois da chuva ? tapar de qualquer forma os buracos no telhado. Mas parece que o patrimônio público não tem dono. Parece que algumas pessoas responsáveis pelo patrimônio público o consideram sem dono, coisa de ninguém, coisa descartável. E o que poderia ser um conserto vira, em cinco meses, uma reforma, e daqui a mais um tempo, uma reconstrução inteira. E você é quem vai custear essas obras.