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Opinião

Ainda Berlim

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| Lysette Lyra * Na parte ocidental, em Kreuzberg, se acha o Museu Israelita, de exótica arquitetura, que conta a história dessa gente que foi tão perseguida pelo nazismo, e a grandiosa igreja de São Tomás em estilo neoclássico. Próximo, na Postdamer Platz, fica o edifício do Reichstag, o Parlamento que foi incendiado, segundo Hitler, pelos comunistas. Hoje completamente reconstruído, tem como peculiaridade sua cúpula de vidro, onde se pode subir usando uma longa rampa que a rodeia internamente. Foi projetada pelo arquiteto inglês Norman Foster. A Avenida Unter den Linden, do lado ocidental, desemboca no belo parque de Tiergarten e recebe outros nomes. Nela encontramos o Grosser Stern, coluna construida por Guilherme 1º, encimada pela figura alada da Vitória, em comemoração aos triunfos nas guerras de 1864, 66 e 70. Por essa comprida avenida chegamos até Charlottenburg que abriga um belo palácio de verão, dedicado à Princesa Sophie Charlotte, esposa do Kaiser Frederico 1º da Prússia, construído no século 18. Foi bastante avariado durante a guerra, mas se encontra completamente refeito. Numa parte que dá para os bucólicos jardins desenhados por Le Nôtre, repletos de laranjais, cujo pavilhão, chamado L?Orangerie, era usado para os entretenimentos da corte, tivemos a satisfação de, numa noite, ouvirmos um conserto de músicas clássicas e barrocas de autores germânicos, pela Berlim Palace Orchestra, usando os músicos e os recepcionistas, trajes da época rococó. A nova sinagoga, na Oranienburger Strasse, com suas bonitas cúpulas douradas e extremamente esculturadas é outro prédio que não pode deixar de ser visto. Conheci, também, o bairro onde vivem os turcos. Chamados para ajudar na reconstrução de Berlim, aí se estabeleceram, mas, como o governo ampara os desempregados, não querem trabalhar, não aprendem o alemão e conservam sua própria cultura, criando um problema para a municipalidade. Depois de ter visitado toda Berlim, de carro, tornei outras vezes a vários lugares com minha cadeira de rodas, pois me eram acessíveis pela proximidade do hotel. Com facilidade alcançava as ruas Friedrichstrasse, Leipziger Strasse, a Unter den Linder, onde fica o melhor comércio, inclusive uma elegante filial da Galeria La Fayette de Paris. Não poderia estar em Berlim e não aproveitar para ir deliciar-me com seus programas culturais que são múltiplos e muito bons. Assim, além de ter ido ao concerto, em Charlotenburg, de que já falei, fui ouvir a Sinfônica de Berlim; no Staatsoper assisti o ballet Cinderela, numa versão burlesca, onde as irmãs da jovem eram dois travestis. (*) É escritora.

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