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Patrim�nio em foco - Editorial

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Durante a semana finda ontem, um dos pontos positivos, digno de ser saudado, foi o tombamento da Usina de Angiquinho. Construída pelo cearense Delmiro Gouveia, Angiquinho é um marco na América Latina, como fato pioneiro na construção de hidrelétricas pela iniciativa privada. Alagoas, naquele ermo de sertão, entrou para a história com aquela obra ousada, inusitada. O que sobrou da usina situada onde era a cachoeira de Paulo Afonso é um patrimônio brasileiro, e não apenas um bem alagoano. Demorou muito o reconhecimento. Demora tamanha que possibilitou o roubo lento, gradual e seguro de todos os bens móveis que compunham aquele patrimônio. Sem qualquer fiscalização, literalmente abandonada pela Chesf durante mais de meio século, Angiquinho foi paulatinamente depenada de muitos equipamentos que, hoje reunidos em seu devido local, dariam uma aula de evolução tecnológica. Paciência. Não adianta chorar sobre o leite derramado. Vale mais se alegrar e aplaudir o tombamento, mesmo que tardio. Mas é indispensável cobrar cuidados para com esse patrimônio tombado. E tem muitas ações complementares que precisam ser feitas ? principalmente aquelas que estão à mão, bem pertinho, como as peças alagoanas que estão indevidamente alocadas no lado da Bahia, como a placa de visitação da Cachoeira de Paulo Afonso pelo Imperador Pedro II e o carro (em ferro fundido) de bois que transportou os pesados equipamentos, varando sertões inóspitos, até a Usina Angiquinho. Repetindo: aplausos para o correto ato de tombamento e cobranças para que esse tombamento não seja sinônimo de cair por terra ? pois essa é a conseqüência inevitável do descaso e do abandono. Não basta tombar, é necessário cuidar, conservar, o bem tombado, dar-lhe uso, manter-se-lhe a vida. O desafio começa agora.

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