Opinião
A nova Sudene - Editorial
Finalmente foi aprovado pela Câmara dos Deputados o projeto de recriação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), criada em 1959 no governo de Juscelino Kubitschek. O novo e memorável acontecimento marca o derradeiro mês do primeiro mandato do presidente Lula, que ele inicia pedindo aos seus ministros o arrojo preciso para implantar as medidas necessárias ao crescimento do País sem comprometer a baixa inflação e as conquistas da estabilidade fiscal. No mesmo dia da decisão dos parlamentares em relação à Sudene, o governo apresentou um plano, chamado de estratégico, para o Semi-árido. E nessa área, de 912 mil quilômetros quadrados, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), habitada por cerca de 22 milhões de pessoas ? 46% da população nordestina e 13% da população brasileira, continua uma expressiva quantidade dos maiores desafios em forma de problemas, inclusive crônicos, à espera de soluções de curto, médio e longo prazos. Até porque é ainda mantida como a mais castigada com os dramas causados pelas secas periódicas e registrados ao longo dos séculos e até hoje usados como temas preferidos para as promessas dos tempos de campanhas eleitorais. Sem esquecer que a metade dos brasileiros que tem fome vive no Nordeste. A região é responsável ainda por 28% da população do País, mas só produz 14% das suas riquezas. Que agora, mais do que nunca, devemos torcer no sentido de as lutas e os esforços desenvolvidos, em defesa dos interesses legítimos desta parte do território nacional, resultarem em prosperidade real com a recriação da Sudene, que já era um compromisso do presidente antes de governar o País pela primeira vez. E não mais ocorram os motivos justificáveis ou não como os que foram usados quando da extinção dessa mesma entidade em maio de 2001.