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O desafio de preservar um patrim�nio cultural

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| Benedito Ramos * A propósito do editorial da Gazeta do último domingo: Patrimônio em Foco. O ato de tombamento, festejado como uma grande iniciativa do poder público não encerra a responsabilidade sobre o patrimônio cultural. Pelo contrário, apenas começa. Afinal, como diz o artigo: ?tombar não é sinônimo de cair?. Embora literalmente, a velha capital de Alagoas, precisou despencar as suas igrejas com seus altares comidos pelos cupins para que houvesse alguma ação de preservação. Sem falar em casos como a Igreja dos Martírios que está sendo martirizada pelo abandono. A própria casa do poeta alagoano Jorge de Lima quase foi ao chão para ensejar um projeto de restauração. Mas, se gradualmente tombar e restaurar já é difícil, imagine preservar. O desafio de manter uma obra arquitetônica preservada vai muito além dos recursos financeiros. É uma luta, constante, contra a falta de compreensão da comunidade em relação ao patrimônio cultural. Particularmente estamos nos referindo ao Palácio do Comércio, sede da Associação Comercial de Maceió, restaurado em 1999. E, diga-se de passagem, não estamos falando de atos de vandalismo proveniente de moradores circunvizinhos. Não. É de gente bem nascida, que não tem educação nem noção alguma do custo da preservação. Gente que põe os pés e mãos sujas nas paredes ou furta as duchas dos banheiros, quando não, pequenas peças das exposições. Gente que pisa na grama para cortar caminho. Sem falar nos que alugam o espaço e depois, sem ler o contrato, quer fazer um carnaval lá dentro, pondo a importância do seu evento além da importância do Prédio. Poucas pessoas sabem os danos causados por carros pesados na Rua Sá e Albuquerque. Ninguém imagina que o som dos trios elétricos estremece e derruba o estuque. O reboco, simplesmente despenca na trepidação das rodas das carretas sobre o paralelepípedo. Hoje a pintura decorativa do auditório já necessita de restauração por estas causas. Não é a chuva, como se imagina. O telhado inteiro, desde o início da administração Sérgio Papini, recebeu uma manta impermeabilizante. Recentemente todo o teto em estuque foi refeito e pintado com as paredes do segundo andar. E, mais recentemente, na parte dos fundos, outro reboco caiu deixando aparecer as ferragens. Os jardins são outra luta para manter uma grama verde e as plantas de pé. Sem falar no estrago que fazem os pombos que entopem as calhas com fezes e resíduos. É brincadeira imaginar rapazes descendo as escadarias de skates. Mas isto acontece. E este é o desafio. (*) escritor e historiador.

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