Opinião
Ainda as secas - Editorial
Vários municípios alagoanos, incluindo Pão de Açúcar banhado pelo Rio São Francisco, voltam a sofrer as conseqüências das longas estiagens. Ao mesmo tempo, o estudo ?Atlas do Nordeste?, desenvolvido por pesquisadores da Agência Nacional de Águas (ANA), com base na estimativa do crescimento populacional e da demanda por água em cerca de 1.300 municípios dos nove Estados do Nordeste e da parte Norte de Minas Gerais, adverte que mais de 70% das cidades com população acima de 5.000 habitantes do Semi-árido nordestino enfrentarão crise no abastecimento de água para consumo humano até 2025. De acordo com a Folha Online, edição de ontem, que traz os números da pesquisa, aproximadamente 41 milhões de pessoas dessa mesma região e entorno poderão ser atingidos pelo problema. Apenas 26,8% dos municípios ? maioria em Minas Gerais ? conseguiriam chegar a 2025 com a situação de abastecimento de água para consumo humano considerada ?satisfatória? sem os investimentos recomendados pela agência, conclui o estudo. E a maior parcela dos municípios (52,8%) enfrentaria ?quadro crítico? por problema dos sistemas que levam água desde poços ou barragens até as cidades. Como a própria ANA sugere, a solução de tudo isso dependerá de mais de 500 obras com investimentos calculados em R$ 3,6 bilhões, sendo a maior parte das verbas da arrecadação dos tributos federais. Agora, mais do nunca, portanto, as lideranças nordestinas, que atuam nos governos e nas casas legislativas de suas cidades, de seus Estados e na capital do País, devem unir suas forças e se esforçarem mais ainda na busca de respostas urgentes para os dramas da falta de água que já existiam entre as maiores preocupações das autoridades e do povo muito antes de o Brasil conquistar a sua independência.