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A academia e o poeta

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Em boa hora, como parte das comemorações do seu quinquagésimo quarto aniversário, a Academia Maceioense de Letras instituiu a Comenda Poeta Guimarães Passos, com o objetivo de homenagear esse notável alagoano, no ano do centenário do seu falecimento. Desconhecido em sua terra, Sebastião Cícero dos Guimarães Passos, nasceu em Maceió, no dia 22 de março de 1867, e faleceu aos 42 anos na cidade de Paris, no dia 09 de setembro de 1909. O grande poeta da fase parnasiana, que também era jornalista, foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e deixou os seguintes títulos: Pimentões (1877), em parceria com Olavo Bilac; Versos de um simples (1891); Hipnotismo (1900); Horas Mortas (1901); Dicionário de Rimas (1904) e um Tratado de Versificação (1905), em colaboração com Olavo Bilac, além de outras obras esparsas. Com a criação da Comenda Poeta Guimarães Passos, a Academia Maceioense de Letras presta uma justa homenagem e contribui para divulgar o importante intelectual brasileiro, conhecido aqui apenas como nome de praça no bairro do Poço. Reconhecida de utilidade pública, de acordo com a Lei Estadual nº 2.353, de 21 de janeiro de 1961, e a Lei Municipal nº 962, de 5 de agosto de 1963, a AML, fundada em 11 de agosto de 1955, é presidida pelo poeta Jucá Santos, que realiza um trabalho hercúleo para mantê-la, sem nenhuma ajuda oficial, haja vista que a instituição ainda não dispõe de uma sede própria, devido aos entraves burocráticos. Ainda que em diversos exercícios o Orçamento Fiscal do Estado consignasse subvenções em favor da entidade, essas contribuições nunca foram liberadas. O último exemplo disso ocorreu em 2006, quando o Orçamento estabeleceu o valor de R$ 100.000,00, conforme publicação no Diário Oficial do Estado, edição de 17 de fevereiro de 2006. Com o recebimento dessa verba aprovada pela Assembleia Legislativa Estadual, certamente, a AML teria adquirido sua sede, mesmo que fosse uma edificação modesta. Tendo em vista as dificuldades financeiras pelas quais atravessa a Academia Maceioense de Letras, é de bom alvitre que o governo estadual ou o municipal promova a cessão de um imóvel de sua propriedade, que esteja desativado, para abrigá-la, a exemplo do que ocorreu com o prédio do antigo Grupo Escolar Dom Pedro II, na Praça Deodoro, cedido à congênere Academia Alagoana de Letras, na gestão do governador Lamenha Filho. (*) É advogado e membro da Academia Maceioense de Letras.

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