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Opinião

V�os de galinha

| Ronald Mendonça * Notícias nos jornais vêm dando destaque a suposto desconforto entre o governo que se encerra e o que se iniciará a partir de janeiro de 2007. Embora garantindo que colocará o comboio nos trilhos, segundo as mesmas fontes, Teotonio

Por | Edição do dia 09/12/2006 - Matéria atualizada em 09/12/2006 às 00h00

| Ronald Mendonça * Notícias nos jornais vêm dando destaque a suposto desconforto entre o governo que se encerra e o que se iniciará a partir de janeiro de 2007. Embora garantindo que colocará o comboio nos trilhos, segundo as mesmas fontes, Teotonio Vilela Filho terá algumas dificuldades para administrar o Estado. O noticiário também insiste em insinuar que algumas secretarias terão dificuldades em fechar suas contas, por motivos nem sempre publicáveis. O leitor sabe como essas coisas funcionam. De repente, um caro correto e humilde é catapultado a uma condição de mando, com muito dinheiro em sua mão. Grana que com certeza não lhe pertence. No entanto, as facilidades começam a pintar. Daí não seja tão fácil resistir. A esse respeito, há algumas semanas descrevi um fictício secretário de governo que teria ido várias vezes a Europa, não porque era secretário e sim porque era possuidor da “camisa do homem feliz”. Vocês não imaginam a quantidade de mensagens querendo saber o nome desse secretário bem-sucedido. Dediquei tempo explicando aos mais curiosos que objetivamente não havia um alvo específico. Na realidade, o secretário que veste a “camisa do homem feliz” é uma síntese. Poderia perfeitamente ser um ministro. O fato é que independente de haver secretários malandros ou não, Teotonio Vilela não terá moleza no seu mandato. Inclusive porque a sociedade se tornou mais consciente e mais exigente. Certamente a comparação com o governo que se encerra será inevitável. Diferente sorte caberá ao presidente Luiz Inácio da Silva. Quando assumiu o primeiro mandato, Lula e seus companheiros responsabilizaram todos os fracassos ao comando anterior. Para justificar as lambanças, “herança maldita” era uma expressão que fluía fácil da boca de todo aliado que se prezasse. Quatro anos se passaram. Não obstante a propaganda oficial, a administração petista foi uma celebração ao apadrinhamento e à corrupção. Mesmo assim desmoralizado, jogando pesado com a máquina governista, conseguiu uma reeleição. Quis o destino que ao fim do primeiro mandato a incompetência explodisse. Se já não bastassem o caos no SUS e na segurança pública, a bagaceira na aviação comercial tornou-se o prato do dia dos comentários. É o retrato fiel de um governo que tem vôos de galinha. (*) É médico e professor da Ufal.

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