Opinião
25 anos de caminhadas
| Marcos Davi Melo * Tínhamos acabado de resolver um problema delicado e urgente. Conseguimos nos mudar rapidamente de uma casa alugada situada no Farol, que tinha sido arrombada em um domingo que passamos em Guaxuma, para um apartamento na Ponta Verde. Na época só tínhamos um filho, pequeno, com 2 anos de idade. A casa arrombada pelos ladrões, nos deixou muito inseguros, principalmente pela criança. Naquela época ainda se construíam edifícios com 13 andares na região, ali ocupamos um 11º andar de onde se descortinava uma paisagem deslumbrante: de um lado a enseada da Pajuçara, já com algumas construções, do outro a Jatiúca, ainda praticamente desabitada. Em frente os corais e as pedras da curva da Ponta Verde, que se exibiam maravilhosas ao sol, quando da maré baixa. Estávamos no paraíso na terra, mas faltava consertar algo crítico. Com pouco mais de 30 anos, trabalhando em uma especialidade médica desgastante, a oncologia, fumava um maço de cigarros por dia. A solução encontrada foi caminhar na praia ao alvorecer, para usar o exercício físico como auxílio para abandonar o cigarro. Inicialmente solitário, compartilhando a harmonia entre coqueirais e oceano, vendo o sol nascer no mar plácido da Ponta Verde, partia em direção à Lagoa da Anta, trajeto então ainda sem asfalto. Certo dia ao iniciar a caminhada, encontrei um vizinho novo do prédio que também ia caminhar, era o Miguel Vaz, fizemos o trajeto juntos. Dias depois encontramos o Dudu Bentes e o Carlos Esteves e agrupamos. No outro dia foi o Ardel Jucá que saia do Farol onde morava. Estes cinco são o núcleo inicial de um grupo que hoje soma mais de 30 companheiros. Depois de algum tempo, outros caminhantes aderiram ? como o Abel Galindo que nos recepcionava na Barra Nova ? e o prazer da convivência era tamanha, que concretizamos um café da manhã semanal no Hotel Ponta Verde nas sextas-feiras. Lá, os aniversários são celebrados como se fossemos crianças. Anualmente, fazemos pelos menos três grandes confraternizações, com viagens para Maragogi e Gravatá, além das de fim de ano. Ao completarmos 25 anos de caminhadas conjuntas, temos amplos motivos para comemorar. São mais de 30 amigos que convivem com indescritível satisfação, nas manhãs plenas de beleza e harmonia da orla. Pelejamos em busca da saúde física e mental e nada melhor para isto do que um bom grupo de amigos em um ambiente salutar e extraordinário de belezas naturais como aquele. Muita saúde, paz e sossego para todos. (*) É médico e professor da Uncisal.