Opinião
Subnotifica��es - Editorial
Os próximos anos, no País, devem ser de maiores atenções ao futuro de toda a nação, começando pela população infantil, desde os recém-nascidos. A situação em que vive expressiva parcela das crianças no território nacional tem sido denunciada ao longo de décadas. Mas, dificilmente ela será revertida antes do pior, se não forem executadas, desde já, as ações de combate às causas do elevado número de pessoas ainda sem registro de nascimento e dos problemas da não-notificação de óbitos. Estamos tratando de uma problemática gravíssima, como podemos constatar por meio de uma das pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cujos resultados acabam se ser divulgados, mostrando, por exemplo, que no Brasil existem pelo menos 550 mil pessoas sem registro de nascimento. No Norte e Nordeste, metade das crianças não tem documentação, são consideradas ?invisíveis?. Como se nada disto não fosse por demais preocupante, temos milhares de meninos e meninas sem o nome do pai na documentação espalhados pelo País. E mais da metade das mortes de bebês de até um ano de idade não é oficialmente informada. Só no ano passado o porcentual neste item chegou a 50,9%, segundo o IBGE. Como o próprio órgão estatal observa, ao contrário do nascimento, em que há possibilidade de recuperação do evento ao longo do tempo, através do registro tardio, são raras as situações em que o óbito ocorrido e não registrado no ano venha a ser recuperado em anos posteriores. Há, ainda, outros fatores que devem ser devidamente considerados no tocante à inexistência das notificações de nascimentos e falecimentos. Um dos principais é a falta de dados atualizados para os números utilizados na elaboração de programas principalmente para a área social. Inclusive quanto ao combate e ao controle das doenças e da questão das mortes violentas.