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Microcr�dito conduzir� pobreza aos museus

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| Stelio Gama Lyra Júnior * Neste domingo, um economista de Bangladesh e a instituição que ele fundou há 30 anos receberão o Prêmio Nobel da Paz em Oslo, Noruega. Muhammad Yunus, conhecido por muitos como o ?banqueiro dos pobres?, iniciou seu caminho para a criação do Banco Grameen em 1976, com um empréstimo de seu próprio bolso a 42 pessoas desesperadamente pobres em Bangladesh. O empréstimo total somava US$ 27.00 ? menos de US$ 1.00 por pessoa. Um dos 42 mutuários era uma mulher que fazia bancos de bambu e ganhava só dois centavos ao dia, vendendo a produção a um ofertante de crédito que exigia o produto a um preço que mal cobria o custo do bambu, perpetuando assim uma vida de pobreza extrema para a mulher. Com o empréstimo do professor Yunus, ela podia vender seu produto ao melhor comprador, fazendo com que seus lucros disparassem de dois centavos para US$ 1.25 diários. Muhammad Yunus tem quebrado muitas regra bancárias. Proporciona empréstimos aos pobres, não aos ricos; às mulheres, não aos homens; em pequenas quantias, não grandes; e sem garantia ou documentação. Esta revolução se difundiu e chegou ao Nordeste do Brasil, através do programa de microfinanças do Banco do Nordeste, o Crediamigo, criado em 1997, que atende hoje mais de 230 mil clientes em 1.200 municípios no Nordeste do Brasil e no Norte dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Foi também no ano de 1997 que o sr. José Joelito começou um negócio de abate de frangos no povoado de Capunga, no Estado de Sergipe. Não podia criá-los, pois não tinha capital nem estrutura, e trabalhava sozinho. Hoje, após doze créditos obtidos através do Crediamigo e pagos rigorosamente em dia, ele possui sete galpões, abate cerca de 1.200 frangos por mês e tem uma carteira de quase 300 clientes. Aumentou consideravelmente sua margem de lucro, já que não compra mais os frangos de fornecedores, emprega duas pessoas e possui uma moto e um carro para o transporte da produção. Essa história e muitas outras fazem parte da chamada revolução das microfinanças. Em novembro passado, o professor Yunus se uniu a mais de 2.000 delegados de 112 países na Cúpula Global do Microcrédito 2006, em Halifax, Canadá, quando foram lançaram duas grandes metas para o ano 2015: 1) levar o microcrédito a 175 milhões das famílias mais pobres do mundo, beneficiando 875 milhões de pessoas nessas famílias; e 2) assegurar que 100 milhões de famílias muito pobres superem o limite de ganhos de US$ 1.00 ao dia, tirando da pobreza extrema cerca de 500 milhões de pessoas. (*) É superintendente de Microfinanças e Programas Especiais do BNB.

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