Opinião
O Nordeste
| Dom José Carlos Melo, CM* Nos dias 27, 28 e 29 de novembro foi realizado o Encontro dos Bispos do Nordeste no Centro de Convenções de Campina Grande. Há exatamente 50 anos se realizava a primeira reunião dos bispos buscando apresentar à sociedade a situação em que se encontrava a região Nordestina, concluindo com a apresentação da Carta dos Bispos, que mudou as relações do governo federal para com o Nordeste através de políticas públicas específicas para o seu desenvolvimento. A ele estão ligados nomes importantes: dom Helder Câmara, Juscelino Kubitscheck, Celso Furtado e outros. Fizeram parte deste evento, dirigentes de todos os níveis do governo que têm condições de influir em novas políticas públicas para o Nordeste; representantes de entidades privadas, sindicatos, ong?s, fundações e cooperativas, com nível e poder de decisão; representantes das entidades de ensino públicas e privadas da região; pessoas especialmente convidadas com envolvimento das ações a serem desenvolvidas, e que possam contribuir com o seu conhecimento para o enriquecimento dos detalhes e propostas, com representantes do mundo eclesiástico, onde destaco a presença do Núncio Apostólico no Brasil Dom Lorenzo Baldisseri, e o presidente da CNBB, dom Geraldo Magela e vários Bispos. Todos estes participantes refletiram sobre a nova realidade após estes 50 anos, buscando avaliar o que foi realizado nas conquistas conseguidas. Apesar de muito progresso constatamos muitos ganhos, mas, não foram suficientes para tirar o Nordeste do estado de dependência, sendo a região mais pobre do País. Vários assuntos foram abordados: O Nordeste nos anos 50: desafios e propostas da época; O Nordeste dos anos 50 e o Nordeste atual: um balanço crítico; O Nordeste atual: desafios e prioridades; O Nordeste atual e as políticas públicas prioritárias. Com essa preocupação é que os bispos do Nordeste se reuniram novamente em Campina Grande, não somente para comemorar esses 50 anos da primeira reunião, mas para novamente conclamar a classe política, empresarial e o povo em geral, na busca e encaminhamentos de soluções para os nossos mais graves problemas na atualidade. Durante este período de 50 anos, chegamos à conclusão de que as exigências técnicas e administrativas do Nordeste ultrapassam os organismos estatais destinados a operar aqui, e a conjuntura humana requer uma imediata revisão do tratamento, até agora dado ao homem como preliminar, para uma ação corajosa mais forte, mais profunda, mais ampla, no campo econômico, social e espiritual. (*) É administrador arquidiocesano de Maceió.