Opinião
A Pol�nia e sua saga
| Lysette Lyra * A Segunda Guerra Mundial provocou profundas modificações na estrutura socioeconômica, política e territorial de diversos países europeus. A Polônia foi um dos que mais sofreram. Além das pesadas perdas humanas e materiais, de ter de adequar, no pós-guerra, a economia às obrigações na edificação do socialismo, teve suas fronteiras bastante alteradas pelo pacto de Potsdam, assinado em 1945, entre União soviética, Estados Unidos e Grã-Bretanha, e pelo acordo de Moscou, no mesmo ano, entre os governos soviéticos e polonês. Os bombardeios danificaram seriamente muitas de suas cidades, inclusive Varsóvia. Seis milhões dos habitantes do país pereceram. Grande parte nos campos de concentração alemães, sobretudo os judeus que perfaziam um terço da população. Ao término do conflito mundial o expressivo número de poloneses que haviam se espalhado pela Europa, retornaram à pátria e o fluxo imigratório permitiu o aumento do número de habitantes, numa ocasião em que a nação estava tão necessitada de mão de obra para iniciar sua reconstrução. Os poloneses são de origem slava, mas receberam uma mescla latina através da imigração espanhola durante a Inquisição. Com a chacina de judeus e a expulsão de alemães de suas terras, além da transferência de ucranianos, bielo-russos e lituanos junto com os territórios que passaram a pertencer a União Soviética, a população polonesa tornou-se ainda mais homogênea. A maior parte da Polônia é de origem glaciária e completamente plana, atravessada pelo Rio Vístula que, periodicamente, cobre suas margens, deixando sobre elas grandes quantidades de limo, tornando-as bastante férteis. No sul e sudeste apresenta elevações irregulares, cobertas de húmus que fertiliza o solo. Varsóvia é a capital do país desde 1596. Nasceu numa pequena elevação cercada de extensa planície. Foi destruída várias vezes por incêndios e invasões. Somente no século XVIII, durante a regência de Stanislau Poniatowski, derradeiro soberano polonês, alcançou seu apogeu. Foi um dos maiores e mais cultos centros europeus. Tendo como incômodas vizinhas, a Rússia e a Alemanha. Tornou-se sempre alvo da cobiça de ambas, que lhe trouxeram eventuais problemas. Sua demografia na parte setentrional é menos densa e dedicada à agricultura e possui uma reduzida rede urbana. O sul concentra 1/3 da população, tem as maiores cidades, importantes centros industriais e agricultura intensiva. Se os nazistas foram terríveis algozes para o povo polonês, os russos não ficaram atrás. (*) É escritora.