Opinião
Caminhamos no tempo
| Dom Fernando Iório * O tempo é um parêntese da Eternidade sem tempo. É no tempo que a Liturgia da Igreja celebra sua caminhada que não deixa de ser uma esperançosa espera de Cristo. De repente, aproxima-se Ele de nós para fazer parte de nossa história. Somente O reconhece, a cada instante, quem tem olhos abertos para um mundo novo de paz que ele promete aos seres humanos de boa vontade. É o advento ? o tempo de espera. Pessoa alguma pode negar que o ritmo da vida atual, cada vez mais apressado e agitado, que as engrenagens de um sistema, visando a planejar todos os momentos do ser humano, reduzem, de um para outro instante, os limites do imprevisto. Tudo deve ser digitado, passado pelo computador, classificado, programado, fixado. Não obstante, nada é mais revolucionário que Jesus Cristo. Quer dizer: quando Ele desponta em nossa vida, penetrando o recôndito de nosso ser, envolvendo nossa existência, opera-se, dentro de nós, aquela radical mudança, capaz de transformar e modificar a rotina do nosso itinerário. Sentimos, de logo, que Ele, Jesus Cristo, não pode ser programado, senão esperado. Na espera, encontra-se o novo modo de viver, quando permitirmos que sua presença penetre o espaço de nossa vida. Sentiremos, então, ter chegado a hora de Deus, porque cada instante contém a eternidade do Senhor, invadindo o mundo. Toma o divino conta da terra, na simplicidade do espaço da Gruta de Belém. Faz mais de dois milhares de anos da encarnação do verbo de Deus. Mesmo assim, o Advento sempre nos convida a uma nova espera do Senhor. Apresenta-se como tempo de redescobrir, sempre de novo, quem somos, que desejamos, para onde vamos. É tempo de cada um tomar consciência de que Jesus é caminheiro conosco na ininterrupta peregrinação para a plenitude do Reino. A espera do Advento é o brado de esperança. É o convite decisivo porque realizemos a encarnação de Jesus na realidade, ainda por demais desumana, injusta e violenta em que vivemos. Advento é a espera feliz do Natal. É como a madrugada esperando a aurora e a aurora à espera do sol que vai nascer. No final de contas, Advento é espera de que o Verbo de Deus se encarne e tome a forma de gente como nós. Somente assim, tornar-se-á a terra habitação de Deus e o lugar de Sua morada. Finalmente, o Advento é espera do Deus conosco. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.