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Opinião

Um patrim�nio a ser preservado

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| José Medeiros * O termo cultura, originário do latim, significa ato de cultivar, cuidar do solo até que se torne fértil o bastante para produzir frutos. Claro que este é apenas um dos sentidos possíveis do vocábulo. Em relação às manifestações culturais, expressa o cultivo do espírito, do imaginário, da cidadania, do patriotismo, da própria identidade de um Estado. Não é à toa que em toda a história da humanidade, quando um ditador pretendia escravizar um povo, destruía sua cultura e sua base histórica. Repete-se, com muita justiça, que a cultura alagoana, em toda sua extensão, tem contribuído para o Brasil e para o mundo, como exemplo de um abrangente universo cultural; por sua pujança, talento, criatividade, bom gosto e diversidade. Nomes alagoanos destacam-se em vários setores da atividade humana, não somente culturais, mas, também, profissionais. Pelos aspectos enumerados, considerei extremamente criativo o calendário cultural que traz o timbre de uma minuciosa pesquisa dos professores Douglas Apratto, Leda Almeida e Carmem Lúcia Dantas, com o patrocínio da Fapeal, que é dirigida pelo professor José Euclides de Oliveira. Os calendários dos anos anteriores retrataram casarões centenários, peças de arte sacra e objetos do acervo do Instituto Histórico e Geográfico. Esses calendários transformaram-se em embaixadores da cultura que, embora silenciosos e figurativos, representaram bem mais que milhares de palavras proferidas. O calendário deste ano foi chamado de ?Memória da destruição?. Explicam seus autores: ?Alagoas possui edifícios e monumentos que, no passado, tiveram momentos de glória na vida de suas cidades e hoje se encontram completamente abandonados, em processo avançado de destruição, precisando ser recuperados como resgate da cultura e dos traços preservadores de uma época?. O calendário 2007, retrata um rico patrimônio histórico e cultural, inteiramente abandonado. Esses tesouros artísticos merecem ser recuperados e preservados. Sem dúvida, o passado se expressa de forma muito nítida através do patrimônio artístico herdado pelas comunidades; faz parte da identidade cultural do povo. Além de representar reclamo e protesto, o calendário tem muita beleza no seu enfoque e em sua primorosa apresentação. Cada vez mais é reconhecida a necessidade de criação de condições que favoreçam o livre florescimento das manifestações de arte, cultura e defesa do patrimônio histórico. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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