Opinião
Atoleiro ou caos (2)
| Eduardo Magalhães * Na área de Educação, quando comparados com outros estados brasileiros, os indicadores educacionais de Alagoas atingem proporções desastrosas em termos de educação para crianças de idade escolar, para jovens e adultos. No que diz respeito à escolaridade, Alagoas é o Estado do Brasil cuja população adulta possui a menor escolaridade média (pouco mais de quatro anos de escolaridade para adultos de 25 anos de idade ou mais) e a maior taxa de analfabetismo (quase 30% da população adulta). Se tais excrescências não fossem bastante, Alagoas tem ainda a mais alta taxa de analfabetismo infantil, de defasagem escolar média, e a maior porcentagem de crianças de 10 a 14 anos, com mais de dois anos de atraso escolar. No caso do ensino superior e médio, os índices alagoanos não alcançam a metade dos nacionais (quatro vezes menos do que os índices nacionais e menos da metade dos índices nordestinos). Alguns dados referentes à infra-estrutura também são calamitosos. Na contramão do que ocorre no resto do País, em 2004, apenas 14% dos domicílios alagoanos tinham acesso ao esgotamento sanitário. No tocante à água canalizada, também se registra um estancamento a partir de 1999. Em 2004, somente 70% dos domicílios alagoanos estavam ligados à redes de água, 20 pontos percentuais a menos do que a média nacional. O acesso à telefonia celular em Alagoas tem crescido mais lentamente do que no resto do Brasil, o mesmo ocorrendo em relação aos computadores pessoais (menos de 6% dos domicílios no Estado são servidos por computadores). A evolução econômica e social de Alagoas na última década, como demonstrado, destoa do resto do País. O Estado ficou para trás na maior parte dos indicadores de qualidade de vida. Pesquisa do Prof. Cícero Péricles publicada no seu mais recente livro ?Economia popular: uma via de modernização para Alagoas? (2005, p.11) comprova que ?Do conjunto da população economicamente ativa, mais de 225 mil pessoas não têm renda, 563 mil recebem um salário mínimo e 293 mil vivem na corda bamba recebendo entre um e cinco salários mínimos?. Chame-se a essa realidade o nome que quiser, herança maldita ou atoleiro como retratou em entrevista da semana passada o governador eleito de Alagoas, o que não se pode contestar é que se trata de uma situação difícil e perigosa da qual não sairemos se picuinhas semânticas chamarem mais atenção do que a irresistível realidade dos fatos. (*) É professor da UFAL.