Opinião
Decis�o lastim�vel - Editorial
Se depender da pretensão da equipe econômica do governo, o salário-mínimo da maioria dos trabalhadores brasileiros, cujo valor é recebido também pela maior parte dos aposentados e pensionistas, será acrescido de apenas 17 reais. Caso esta quantia não seja modificada, o menor piso salarial do País, atualmente de R$ 350, passará para R$ 367 com o aumento a vigorar em 2007. Os defensores do mais reduzido percentual de reajuste possível, entre os quais estão deputados e senadores, para um dos menores salários mínimos do mundo, o brasileiro, já devem fazer coro com os demais compatriotas preocupados com o amanhã da nação brasileira. Ainda mais, depois da decisão de anteontem, quando os representantes do povo na Câmara e no Senado, em poucas horas, optaram em aumentar em mais de 90% os próprios salários, equiparando-os ao teto do Poder Judiciário: R$ 24,5 mil. A já histórica bondade autoconcedida, que só no Congresso significa um custo adicional de R$ 173 milhões, começa a aumentar os temores de agravamento dos deploráveis indicadores sociais no País, devido ao sempre temível efeito cascata sobre a administração pública do mais pobre município ao Distrito Federal. Depois de afirmar que não estava em curso o acordo para aprovação do reajuste para eles mesmos, os parlamentares apareceram um dia depois com outro discurso, na maior naturalidade, e cravaram seu aumento grandioso. Resta-nos esperar, como simples mortais, que, mesmo assim, com os nossos deputados ganhando mais que os seus colegas nos Estados Unidos, na Inglaterra, e em outros países, os gastos públicos sejam suficientes para a nação inteira comemorar o tão sonhado crescimento da economia e a conquista do desenvolvimento ideal no futuro próximo. E não ter mais motivos para indignação e reclamos como agora.