Opinião
Vars�via, a capital polonesa
| Lysette Lyra * De Berlim para a Polônia voei num incômodo avião turbo-hélice. Mas o desejo de conhecer esse país, cuja história sempre me despertara uma grande comiseração, fazia-me esquecer o tamanho das poltronas da aeronave. Cheguei já à noite, e a cidade, meio escura, me deixou a dúvida de ter feito uma boa escolha. Essa visão equivocada de Varsóvia logo se dissipou ao contemplá-la, de dia. Meu Hotel, o Meridien Bristol, ficava na rua principal da parte antiga, avizinhado por belos e imponentes prédios públicos, inclusive o Palácio do Governo que, como o Meridien, não foi destruído pela guerra. A capital polonesa possuía majestosos palácios, assim como extensos e belos jardins e avenidas. A segunda guerra tudo arrasou, mas, terminado o conflito, os poloneses voltaram-se para sua reconstrução. A parte histórica obedeceu ao estilo original. Outros espaços do centro, hoje apresentam uma arquitetura moderna e luxuosa. Os bairros são dispostos segundo suas funções especificas. É uma cidade de vasta densidade demográfica. Aí vivem 2.000.000 de habitantes numa área de 500 quilômetros quadrados. Seus parques extensos foram refeitos, assim como os jardins, que apesar do outono, ainda apresentavam-se intensamente floridos. Contratei um tour privado e tive, como guia, uma senhora judia, que me mostrou, com empolgação, toda a cidade, sobretudo, naturalmente, os recantos onde se desenrolou a vida dos hebreus sob o domínio nazista. Além do Palácio Real; da Catedral gótica de São João; da igreja da Santa Cruz, onde está guardado o coração de Fryderyk Chopin; da velha Praça do Mercado; das estreitas ruas antigas; da bela fortaleza de tijolos vermelhos que cercava a cidade no início de sua existência; da Coluna de Segismundo III, secular monumento; da Ópera; do Monumento do Soldado Desconhecido; do único prédio notável deixado pelos russos, como um símbolo de força, o Ministério da Cultura e da Ciência; visitamos o Cemitério dos Judeus; os remanescentes muros do Gueto; o Memorial dos Heróis do Gueto; a Sinagoga de Nozyk, a última que restou em Varsóvia. À noite fomos ouvir a um concerto de composições de Chopin no Palácio de Lazienki, morada de verão do último rei da Polônia, apresentado por Maria Korecka-Soszkowska, artista premiada em Paris. As músicas maviosas desse gênio e o gracioso ambiente rococó do palácio, cercado de parques e lagos, nos fizeram sonhar com o passado romântico. Chopin nasceu em Zelazowa Wola, cidade próxima de Varsóvia, mudando-se para Paris onde morreu aos 39 anos. (*) É escritora.