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Feliz zero-zero-sete

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| Francicarlos Diniz * Só agora, chegando 2007, é que me dei conta do simbolismo do número sete. Nasci numa família de sete irmãos, em sete de setembro de setenta, na Paraíba (que tem sete letras). Comecei minha carreira no Banco do Brasil há 21 anos, em Alagoas (sete letras), no dia 5 do mês 11, cuja soma [5+1+1] dá... sete! E em Brasília, capital federal onde moro, trabalho no sétimo andar do edifício-sede do Banco do Brasil. O sete é pra mim o que o treze é pro Zagallo (ah!, e Zagallo tem sete letras, viu?). Sete não é conta de mentiroso, não! Sete é do balacobaco. É cabalístico. Sete provas cabais: sete são os dias da semana, os sacramentos, as notas musicais, as cores do arco-íris, os pecados capitais, as maravilhas do mundo, os sábios da Grécia antiga. Sete também são os anões da Branca de Neve. E zero-zero-sete é o número do mais famoso espião do set do cinema: o nome dele é Bond, James Bond. Meu sétimo sentido me diz: é preciso ficar atento aos sinais que o próximo ano nos manda. Pra esperar o zero-zero-sete (o ano, não o James), no réveillon serei simpático a todas as simpatias. Pularei as sete ondas na praia de Sete Coqueiros, em Maceió. Comerei sete uvas e guardarei as sementes numa nota de cem contos. No último dia do ano, vestirei branco e segurarei uma taça de champanhe com a mão esquerda, tomando sete goles e jogando o resto da bebida para trás. Pra conquistar o sétimo céu no amor, baterei sete vezes o pé no chão, repetindo sete vezes o nome dela, Cláudia, que tem sete letras. Não farei de 2007 um bicho-de-sete-cabeças. Procurarei ser menos cartesiano e mais nerudiano. Serei gauche na vida, como disse o anjo a Drummond, no Poema das Sete Faces. Trupizupe gordo, mas leve e solto, descobrirei outros sete mares. E outras sete maravilhas. Quem sabe até invente a oitava! Se conseguir, prometo não guardar o segredo a sete chaves. Estou pela bola sete. Por isso, em zero-zero-sete (o ano) arriscarei um pouco mais no jogo da vida, mesmo que nesse jogo seja preciso cometer mais do que sete erros. Vou pintar o sete com as cores da paz e da esperança. E vou carregar nas tintas! Carpe diem! A vida é uma só! Menos pro gato, que tem sete vidas. (*) Francicarlos Diniz é jornalista e bancário em Brasília.

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