Opinião
Pura coincid�ncia? - Editorial
Ser ou não ser coincidência é a questão: mais um líder de feirantes é assassinado. Semelhantes são as características que vitimaram o líder dos feirantes da Ceasa, anteontem, e o líder dos feirantes do centro (meses atrás). Características de crime de mando, com utilização de pistoleiros profissionais. No caso do líder dos camelôs, seu assassinato se deu logo após realizada a transferência de local dos ambulantes das ruas do centro de Maceió para uma outra área definida pela prefeitura. Já o líder dos feirantes da Ceasa foi trucidado imediatamente após a transferência de local dos comerciantes da área central de Maceió para o Tabuleiro do Martins. Em ambos os casos, essas lideranças negociaram com os poderes públicos (prefeitura de Maceió e governo do Estado) as reivindicações de suas categorias. Naturalmente, toda mudança provoca descontentamento, causa prejuízos, deixa ressentimentos. Ressentimentos e prejuízos podem levar a desenlaces violentos. Mas em casos desse tipo, a motivação é de caráter passional, movida por emoção perceptível e os criminosos sempre deixam marcas evidentes de sua autoria. Em ambos os casos, tragédias semelhantes separadas por meses, essas marcas não aparecem. Não há registro de discussões acaloradas, ameaças e coisas do gênero. Os assassinos dos dois líderes volatilizaram-se, sumiram no momento seguinte aos crimes. Deixaram no ar indeléveis traços de pistolagem, de crime de encomenda, típicos das vinditas mafiosas. É hora das autoridades policiais passarem o pente fino em torno desses dois casos, aprofundando as investigações, buscando saber quantos mais prejuízos poderiam ter sido causados, e a quem, e a quais negócios, com as mudanças de locais dessas atividades comerciais. As evidências apontam para algo bem maior que brigas entre feirantes descontentes.