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A pr�tica da democracia cultural

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| Benedito Ramos * Tem sido uma constante no Brasil a busca de soluções inclusivistas através de improvisados decretos à luz de alguma efeméride. Questões raciais históricas como o acesso aos cursos universitários é simplificado coercitivamente pela lei. Ministérios, secretarias, juizados e delegacias dedicados às minorias são criados visando remendar fatos sociais que não se desmancham facilmente na personalidade do povo brasileiro. Compreender a diversidade num País que teima em continuar sendo colonizado é muito difícil. A mania de grandeza americana encruou. Importa-se o que existe de pior em sectarismos de toda a espécie. Esta diversidade, cada vez mais em moda no vocabulário acadêmico está mais dividida que nunca e se confronta pelos motivos mais banais. O abismo cultural, étnico e religioso é tão imenso quanto o crescimento da pobreza. No futuro, com certeza, será criada a função de ?pacificador cultural? para conter o excesso de ?orgulho? de cada um desses segmentos da sociedade. É num cenário como este que a cultura, paradoxalmente, aparece no art. 215 da Constituição brasileira: ?O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais.? É um belo discurso que não vai além do papel. A cultura no Brasil continua elitista ou pelo menos faz um divisor de águas entre o que deve ser levado à população pobre e aos ricos. Serve muitas vezes de pano de fundo para manifestações políticas onde ?trios elétricos? são chamados de ?atrações culturais?. A democratização da cultura, em qualquer país, exige ações que promovam o acesso aos segmentos eruditos das artes a toda a população e não apenas a uma minoria. Principalmente, sem o ranço preconceituoso de que o pobre ?não entende?, quando a Constituição reclama o ?acesso democrático aos bens culturais?. Como exigir ?defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro? sem promover amplamente este conhecimento a todos os brasileiros a partir da escola? É difícil quando a educação não é meta prioritária. Mais ainda, quando a infância perambula nas ruas em busca do que comer. E assim, se é difícil preservar as salas de aula, banheiros das escolas públicas, como ensinar a preservar monumentos públicos? Isto é bíblico: Quem não conhece está isento do pecado (Rom.4:15). (*) É escritor e historiador e-mail: [email protected]

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