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Nº 5692
Opinião

Romeiros da esperan�a

| Eduardo Bomfim * Interpretar os movimentos, que convergem para o mesmo rumo ou se conflitam, trata-se de uma tarefa complexa, difícil mesmo, no campo das diversas ciências. No entanto, ouso considerar que é principalmente nas áreas social e política, o

Por | Edição do dia 22/12/2006 - Matéria atualizada em 22/12/2006 às 00h00

| Eduardo Bomfim * Interpretar os movimentos, que convergem para o mesmo rumo ou se conflitam, trata-se de uma tarefa complexa, difícil mesmo, no campo das diversas ciências. No entanto, ouso considerar que é principalmente nas áreas social e política, onde esse paradoxo torna-se mais contundente. Porque se tudo pode ser estudado, medido, diagnosticado e apresentadas soluções, existe invariavelmente o imponderável fator humano. Pode-se chegar com razoável facilidade à análise objetiva dos fatos econômicos ou à base concreta de certos fatos ocorridos. No entanto, eles dissociados do conteúdo subjetivo, decorrente da consciência humana transformada em ação decidida, voluntária, tornam-se incompletos, difíceis de serem compreendidos ou até inescrutáveis. Portanto, impõe-se ao campo político, o diagnóstico rigoroso, a apurada compreensão do concreto e da correspondente ação humana sobre o período em estudo. Como a atitude dos homens e mulheres não é baseada exclusivamente em uma postura racional, a coisa se complica. Há o medo, a ira, a inveja, o ódio, a cobiça, os interesses econômicos de grupos ou classes. Dos fatores que compõem o atual estágio da formação humana, alguns são abertos, explícitos. Outros se escondem nas profundezas da alma, inconfessáveis. Porque revelados, exporiam interesses condenáveis, dos indivíduos ou grupos. Na luta política torna-se impossível compreender a essência dos fenômenos sociais, sejam eles de pequeno significado ou aqueles de alta relevância histórica, sem a junção dos elementos concretos à motivação que impulsionou a vontade dos indivíduos, dos amplos segmentos societários. Os momentos de grande ebulição nas camadas sociais encontram-se sempre associados às grandes causas transformadoras. O combate a um regime de opressão, à exclusão social insuportável, à abissal concentração da renda em uma região ou país. Possibilitam que milhões de seres, em semanas ou meses, dêem um enorme salto na compreensão da realidade que os subjugam. São tempos de fraternidade, coragem moral, física. De reconstrução coletiva e individual. Até nas épocas de estagnação, os povos insistem na busca da imortal esperança. Mesmo que tantos neguem, somos romeiros pelas estradas de um mundo melhor. Com saudades do futuro e das terras do “Bem Virá”, do sempre Geraldo Vandré. (*) É advogado.

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