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Opinião

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| Regina de Maya Pedrosa * Estamos vivenciando um estado de calamidade na saúde pública em Alagoas por falta de remédios que o SUS parou de fornecer. Sou portadora de Esclerose Lateral Amiotrófica (E.L.A.) ou como é chamada em vários países, A.L.S. Esta doença é progressiva e as conseqüências são terríveis porque atinge nossos sistemas vitais, tais como: respiratório, digestivo e motor, este paralisando os membros superiores e inferiores, tornando as pessoas totalmente dependentes. Apenas o remédio Rillutek (fórmula Riluzol) retarda as conseqüências e principalmente a traqueostomia. É usado no mundo inteiro e tem comprovada sua eficácia pelos cientistas. Sua aquisição só pode ser feita através do SUS, ele não é vendido em farmácia. Comecei a tomar o Rillutek a partir de 18/07/2004, indicado por meus médicos de São Paulo, Maceió e Rio de Janeiro. Há necessidade de tomar duas pílulas por dia sem interrupção. A última vez em que recebi a medicação do SUS foi no dia 04/09/2006. Esta interrupção compromete minha saúde e a de todos os que precisam do mesmo e de outros remédios. Entrei no Ministério Público para fazer a reclamação, assim como outras pessoas que necessitam de remédios fornecidos pelo SUS. Para minha surpresa, nosso pedido foi negado. Fomos informados que o Estado de Alagoas deve aos laboratórios uma enorme quantia em dinheiro, razão pela qual deixaram de fornecer esse e outros remédios, o que tem redundado em mortes em casos mais extremos como pode ser confirmado por matérias na mídia alagoana. Como é possível imaginarmos, sabendo que a CPMF é um imposto destinado à saúde pública e as pessoas o pagam compulsoriamente em todas as operações bancárias que são realizadas? Qual a responsabilidade dos governantes do nosso Estado? As contas do governo alagoano deveriam ser bloqueadas com urgência a fim de pagar os laboratórios. Estamos todos perplexos porque se trata da sobrevivência de vidas humanas. Os responsáveis deveriam pensar que poderiam ter alguém de sua família nesta situação angustiante. Tenho certeza que logo a resolveriam. Ainda pergunto, porque isso aconteceu? Porque deixar as pessoas piorarem, agravarem seu estado de saúde por falta de medicamentos? Para onde foi à verba destinada para essa finalidade? Aqui fica o meu protesto, na esperança de uma atitude correta e humana da parte dos órgãos governamentais responsáveis por esse problema no nosso Estado. (*) Funcionária pública.

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