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Ab�lio Antunes, mestre e amigo

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| José Medeiros * Acabamos de viver as alegrias do Natal, no espírito místico desses dias que transbordam em amor e solidariedade. Por vezes, entretanto, entrelaçam-se momentos de tristeza, emoção e sentimento, provocados pela perda de pessoas que amamos ou estamos ligados por laços de amizade e afeição. Na semana anterior ao Natal, o falecimento do professor de Medicina dr. Abílio Antunes, foi um acontecimento que provocou desgosto aos seus ex-alunos, amigos e familiares. Tinha razão o poeta quando afirmou: ?durante o período natalino, jamais houve alguém que não pensasse nas lembranças de velhos tempos, velhas alegrias e antigas amizades!!!? Sabemos que a vida se assemelha ao curso de um rio, ora caracterizado por trechos planos e suaves, ora por outros repletos de curvas e turbulências. Entretanto, só não sabemos em que curva dessas águas a vida desaparecerá. É o implacável fim biológico da existência humana; atinge-se a extrema curva do caminho extremo... Ao longo do curso de Medicina, convivemos com muitos professores, usufruímos dos benefícios de suas inteligências e de seus conhecimentos; e encontramos, também, mestres-amigos, mestres-companheiros, a quem nos afeiçoamos de maneira peculiar. Talvez me seja possível traçar um retrato 3x4, sem retoques, embora, dr. Abílio Antunes mereça uma fotografia colorida e de rica moldura, que contenha traços indispensáveis, para que os que não o conheceram tenham uma idéia de sua obra e do seu altruísmo. Ocupou altos cargos da hierarquia pública funcional: presidente do Conselho Regional de Medicina, professor titular do Centro de Ciências da Saúde da UFAL (de onde foi vice-diretor); além de ter sido chefe do Serviço de Cirurgia do SESI, do Serviço Médico do I.A.P.M., do Serviço de Cirurgia Torácica do Hospital Severiano da Fonseca, da Unidade de Cirurgia de Urgência do Hospital Universitário ? entre tantas outras funções e desempenhos. Sem dúvida, um homem cordial; um talento voltado para o construir. Soube impor-se através de uma folha de serviços prestados à medicina alagoana, fruto de sua capacidade e poder criador. Gostaria de ter um bisturi ? tão bom quanto o dele ? que me possibilitasse adentrar na dimensão maior de sua extraordinária vocação médica, para poder dizer alguma coisa que descreva a medicina que praticou: técnica, científica e humana. Cumpriu sua missão na terra com muita dedicação e humanismo. (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.

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