Opinião
Minha visita � Crac�via
| Lysette Lyra * Depois de ter, por seis dias, vasculhado os recantos mais importantes de Varsóvia, de sentir, comovida, sua história, experimentar sua culinária, provar a cordialidade de sua gente e me abismar ante seu forte poder de recuperação; após conhecer sua cultura e inebriar-me com a música de Chopin, contratei uma van para me levar até Cracóvia a terra de Copérnico (aquele que provou não ser a Terra o centro do universo) e do saudoso Papa João Paulo II. Fica no Sul da Polônia numa região de montes irregulares e de intensa densidade demográfica, de campos férteis e belos, e de compactos bosques perfumados. Meu motorista mal falava algumas palavras de inglês, mas era amável e bom no volante. Conseguimos nos entender, assim mesmo. São três horas de Varsóvia àquela cidade, porém demoramos muito mais porque a estrada estava em obras e, em algumas ocasiões, éramos obrigados a parar esperando nossa vez de passar nos desvios. Afinal chegamos, já à noite, ao nosso destino. O Hotel Radisson, onde me hospedei, é uma construção moderna e luxuosa, bem no Centro da cidade, em frente ao grande parque que nos leva a Stare Miasto (parte antiga da cidade). No dia seguinte, armada de um mapa do lugar, atravessei a rua Straszewskiego, onde fica o hotel, dirigi-me pela Franciszkanska, através do parque e, facilmente, consegui chegar à velha praça do mercado, a Rynek Glówny, onde está a galeria estilo renascença que abriga um grande artesanato, não somente polonês, mas dos países vizinhos. Aí se encontram maravilhosas peças de Âmbar, as mais belas e bem trabalhadas. Sua produção supera a da Rússia, onde, também, é abundante. Há ícones de prata admiráveis. Visitei a bela igreja gótica da Virgem Maria, com seu precioso retábulo feito por Wit Stwosz. O Papa João Paulo II aí foi pároco de 1952 a 1957. Nasceu em Wadowice, mas viveu em Cracóvia grande parte de sua vida, onde fez o curso de Teologia. Foi arcebispo até 1978, quando foi eleito papa. Karol Woijtyla teve muita influência na libertação de sua pátria. A Polônia é o País mais católico do mundo. Só nesta cidade existem 142 igrejas. A praça do mercado é cercada de monumentos, igrejas, fortalezas, museus, lojas e restaurantes. Há barracas de flores e ambulantes que vendem, inclusive, umas roscas muito apreciadas, sobretudo pelos pombos numerosos, que voejam pela praça a procura de migalhas. Os charmosos prédios antigos, que guardam o aspecto secular de suas estruturas, nos encantam. (*) É escritora.