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Os despossu�dos e o Natal

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| Gilberto de Macedo * É o Natal, a data maior da humanidade, que se comemora todos os anos. Símbolo de paz, amor e fraternidade nos bairros e nas residências em geral, é a sinalização comemorativa que se vê. Frente a isso, tem-se o contrário. Dormindo, ou chorando com fome sem qualquer alimentação, ao relento, sem família, tem-se as crianças, meninos de rua. São os despossuídos. Desde o começo da vida. Originaram-se por acaso. Um ato físico sem qualquer intenção, sem qualquer dose de afetividade, com toda indiferença. Totalmente material. E assim nasceram, qual uma coisa, um objeto qualquer. E assim viveram, cresceram biologicamente, sem receber qualquer afeto, com total ausência de amor, nem mesmo uma atenção gentil, já que não era visto como um ser humano, mas apenas algo vivo, porque chorava freqüentemente por carência afetiva, de alimento e de conforto material. Essa é a imagem do despossuído, de quem se originou sem amor, e assim, continuou pelo resto da vida. E despossuído de todo e qualquer bem. Mesmo o alimento mínimo, para saciar a fome. E isso, no contraste hediondo, do exibicionismo e da maldade da fartura, frente a frente. Nesse confronte perverso estabelecido pela injustiça social, da traição do governismo. Tentativas têm-se feito no sentido de corrigir a infâmia social. No plano teórico, leis têm sido elaboradas apoiadas pelo saber jurídico mais aperfeiçoado, mas que na prática não se aplicam, devido à maldade dos governos, levados pela ambição pessoal. As soluções sociais permanecem distanciadas das ideologias políticas. Ética ideológica e ética social separadas pela má consciência da prática da maioria dos governantes, isso de maneira geral nos diversos países. É um contra-senso que, como tal, fere a respeitabilidade da condição humana e os ideais da civilização. Uma contradição perversa que nega os valores sociais e afronta os direitos humanos. Esmola não resolve, justiça, sim. Que o espírito do Natal desperte a consciência universal a respeito. Pois, se não se cogita da espiritualização da sociedade materialista, esta continua indiferente à solidariedade humana e distanciada da prática de justiça, por mais leis que se criem a respeito. É na intimidade dos sentimentos, onde se formalizam os comportamentos individuais e, por extensão, os padrões sociais, que se há de atuar, tendo em vista uma nova realidade. Assim, o espírito de Natal é esse veículo capaz de levar às transformações que tanto se deseja. (*) É médico.

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