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Opinião

Um sonho de Natal

| Márcio Lanzuerksy * Acordo sonhando com nossos filhos. Não os adultos de agora, responsáveis profissionais, mas com aqueles menininhos que tanta alegria trouxeram a nossa casa e nos fizeram reviver os dias de nossa infância. Sinto se aninhando nos me

Por | Edição do dia 28/12/2006 - Matéria atualizada em 28/12/2006 às 00h00

| Márcio Lanzuerksy * Acordo sonhando com nossos filhos. Não os adultos de agora, responsáveis profissionais, mas com aqueles menininhos que tanta alegria trouxeram a nossa casa e nos fizeram reviver os dias de nossa infância. Sinto se aninhando nos meus braços aquela menininha que puxava minha longa barba negra e desalinhada que tanto medo fez a outras crianças. Aquele bebezinho que, ainda sem saber andar, pulou a grade do berço e chorando fez-nos ser acordados pelo vigilante que, no silêncio da fria madrugada de Santana do Ipanema, ouviu seu choro. Tio Benício, de saudosa memória, tinha razão: a nossa vida passa como um relâmpago. Nossos filhos cresceram, adquiriram conhecimentos, já nos dão lições e, no entanto, ainda os consideramos crianças. Apesar disso continuamos lembrando da menininha que, brincando, fez-nos um grande susto ao desaparecer escondida em baixo do berço camuflada com o cortinado, dormindo como um anjo. É a vida. No meu sonho estava a conversar com ela dizendo-lhe que nunca, mesmo quando ela e seus irmãos ficassem velhinhos, esquecessem a felicidade que trouxeram a seus pais. Muito maior do que os cuidados e trabalhos. Estes sempre encarados com alegria. Não posso esquecer a cara de espanto quando um deles me fez gritar de dor ao procurar limpar meu ouvido com um cotonete. Desde aquele momento, apesar da dor, e até hoje, fico a rir da sua inocência. Não somos perfeitos, cometemos erros, até querendo acertar. Com saudade lembro do um pedido da primogênita, instruída por vovó Maria: um presente de Natal que eu teria dificuldade de atender. Ao ser informada que sendo possível, dentro do sensato, atenderia; ela me pediu para deixar de usar barba, agora já bem cuidada e com muitos fios brancos. Como lamento não ter guardado aqueles pelos em um envelope para lhe entregar, já de cara limpa e bem escanhoada, como complemento ao seu presente de Papai Noel. Não lhes demos tudo, mas demos tudo que pudemos. Sempre aproveitando oportunidades para lhes instruir. Antes de comprar o primeiro velocípede, pedimos que o interessado esperasse pelo pagamento do painho. Ele logo perguntou: E você não tem cheque? Tivemos que dizer-lhe o significado do documento, fazendo-o conhecer rudimentos de operações bancárias. Foi nessa oportunidade que um primo chamou-nos de pão-duro dizendo que lhe desse logo o brinquedo. (*) É engenheiro civil.

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