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Opinião

Um horizonte de confian�a

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| Fernando H. Cardoso * Faz tempo que Alagoas esperava por um horizonte político mais confiável. Faz tempo que o Brasil olhava para este rincão nordestino, via as estatísticas sociais, olhava seus mares e praias admiráveis, via as usinas se expandirem para o sul afora, recordava seus valores humanos, de Graciliano Ramos a Teotônio Vilela, o Menestrel, e indagava ansioso: até quando as esperanças vão continuar a se extinguir com a passagem do tempo. Agora surge uma nova oportunidade. Conheço o novo governador há algumas décadas. Convivi com seu pai e com ele. Vi-o na Assembléia Nacional Constituinte, em 1986, lutando por seu Estado, pelejando nas questões da energia. Acompanhei-o na oposição a governos federais, vi-o novamente, no meu governo, excedendo-se em cuidados e trabalhos como presidente do PSDB para ajudar a reformulação das políticas públicas, e o vi também empenhado ? fosse quem fosse o governador do Estado ? em dar condições de governabilidade a sua terra natal. Não é desconhecido dos alagoanos que o Estado tem alguns dos piores índices de desenvolvimento social do Brasil. Falo do tema sem inibições e com sentimento fraterno, pois meus avós maternos também são de Viçosa e laços familiares comuns prendem a mim e a Teotonio a outra figura histórica de Alagoas, Octávio Brandão. Se Teotonio foi capaz de ajudar a diminuir as horríveis taxas de mortalidade infantil do município que leva o nome de seu pai, se, como senador lutava para que o canal do Sertão fosse uma realidade, se colocou tanto empenho na interligação elétrica do Estado, tem condições agora para mostrar ao Brasil como o PSDB e ele serão capazes de governar com moralidade e orientando as ações para a redução da pobreza, para a melhoria da educação. Para que estas metas não se percam no palavreado, Teotonio terá de enfrentar uma dura batalha. O que se chama hoje de ?classe política? é um segmento da população que se apoderou dos recursos públicos, não se peja de aumentar os próprios salários, nomeia a parentela, os amigos e dependentes para que vivam dos cofres oficiais e olha muito pouco para o povo. O caminho de Teotonio Vilela será outro, tenho certeza. Precisará de apoio nacional para mostrar que é possível mudar o panorama social de Alagoas. Com trabalho, empenho, decência e competência técnica, apesar das inúmeras restrições, inclusive financeiras, se houver apoio da população e se alguns segmentos mais responsáveis do setor político entenderem o significado nacional da redenção de Alagoas, o horizonte de esperança se aproximará da realidade. (*) É ex-presidente da República.

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