Opinião
Depois do ano-novo / Editorial
Não obstante o incandescente sol de verão, se fixarmos a vista na área da segurança pública brasileira, veremos este ano se encerrando de forma lúgubre. Ainda soam os ecos de dor e horror do terror a que foi submetido o Rio de Janeiro. Mas, o mais importante é, amanhã, iniciarmos 2007 dispostos a cobrar respostas para tudo que ficou em débito neste 2006. Como nos anos anteriores, o Brasil segue sendo o ?país do futuro?. Quem sabe, o futuro possa estar nos esperando na esquina de 2007. Na verdade, deveríamos estar cuidando, e há muito tempo, de construir nós mesmos esse país desejado. Cabe a nós, cidadãos e cidadãs, cobrarmos com mais rigor as responsabilidades das autoridades constituídas. Além da segurança pública, cujo caos é tema recorrente de comentários editoriais, a cidadania brasileira precisa externar ? com mais veemência ? suas cobranças nas áreas econômica e social. Não basta votar é necessário cobrar. Nasce amanhã um novo ano num clima de ampliação de velhos débitos acumulados. Naturalmente essa reflexão não deve impedir a justa alegria pela passagem de mais um ano, afinal o réveillon tem se consolidado como um momento de alegria coletiva dos brasileiros, com festas nas praças, praias e logradouros nos quais possam se concentrar multidões. É um momento de confraternização de um povo, de muitos povos em todo mundo. Comemoremos a passagem de ano. Festejemos a chegada do ano-novo. Mas no momento seguinte, a partir de primeiro de janeiro, neste um dia mais especial ainda por marcar a posse dos novos eleitos, a festa deve ceder lugar ao trabalho, deve abrir espaço para as reivindicações mais sentidas. E, neste momento seguinte à festa, devemos lembrar o dolorido balanço do ano que se foi e redobrar os esforços para exigir dos poderes públicos o cumprimento de suas devidas responsabilidades.