Opinião
Sem limites
MILTON HÊNIO * Ficamos estarrecidos com as notícias que diariamente nos chegam pelos meios de comunicação, não só de nossa cidade, como do Brasil e do mundo. Vejamos algumas delas comentadas nas duas últimas semanas: ?Jovens da classe média assaltam na Ponta Verde?; ?Estudantes universitários roubam celulares e toca-fitas em Jaraguá?; ?30 mil crianças estão órfãs no Oriente, decorrentes do ódio entre Judeus e Palestinos, só nos últimos seis meses?; ?Cinco milhões de jovens estão imprestáveis no Brasil lesados pelo uso excessivo das drogas?; ?População de São Paulo e Rio vive em constante clima de guerra?. Drogas, violência, egoísmo, sexo, prostituição infantil, ódio, vingança, atos de corrupção, tudo isso sem limites tem levado o homem moderno a um verdadeiro estado de loucura. É difícil pelo que vemos todos os dias compreendermos o mundo no momento atual, cheio de indiferença e dúvidas. Concluímos que o homem se afasta de si próprio, buscando no materialismo, na ânsia do ganho fácil, do prazer desenfreado, uma possível satisfação interior. Engana-se, assim, a si próprio, porque ele sabe que o retorno de tudo que é feito é uma verdade, bom ou ruim. Assistimos no momento atual ao paradoxo de uma civilização angustiada. Por um lado, uma notável elevação no desenvolvimento da inteligência, oferecendo ao mundo um espetáculo inédito de tantas e deslumbrantes conquistas materiais. Por outro lado, essa mesma inteligência criadora não cria para si mesmo a paz desejada, nem proporciona os meios de uma vida feliz. Enquanto a Ciência em seus diversos setores apresenta acelerado avanço no tempo, sem precedentes na história da humanidade, o homem insiste em sua caminhada sem limites de erros, angustiado, confuso, sem saber o que quer e para onde vai. Esquece, na maioria das vezes, que a vida é uma passagem e procura de toda sorte criar problemas para si e para os outros, batalhando por objetivos ridículos. A fé, o respeito ao próximo, a honra e a ética deixaram de ser uma condição essencial ao bom viver; assim como a solidariedade e a fraternidade. O fato é que os progressos sensacionais em todas as áreas não trouxeram ao homem a felicidade a que ele tem direito, porque não houve ao mesmo tempo um desenvolvimento moral correspondente. O mundo como vive hoje parece desumano. E nessa luta diária pela sobrevivência o homem será o vencedor de si mesmo ou o perdedor de si mesmo. Não há duas alternativas. Vivemos atualmente uma época de alterações de valores. O mundo assemelha-se ao caldeirão dos bruxos, cujos furores nos ameaçam a cada instante. É incrível mas é verdade: é crescente o número de crianças vítimas da violência doméstica. É impressionante o que vemos todos os dias pela televisão: gangues de jovens da sociedade pintando e bordando em suas comunidades pelo Brasil afora, atirando em pessoas; como também jovens de classe pobre se agrupando para promover arruaças. Vemos, com tristeza, que se avolumam os lares incompletos, os lares desfeitos, os lares negligenciados, onde a criança sofre todos esses desatinos. Quanta gente se perde nesse emaranhado de doidices! Não há Deus no coração dessas pessoas, de tal forma que a vida não tem significado para elas. Há um provérbio árabe muito interessante que diz: ?Na vida quatro coisas não retornam: a palavra proferida, a flecha desfechada, a vivência que se teve e a oportunidade desperdiçada?. E muita gente perde isso tudo. Tenham certeza: só poderemos melhorar o mundo quando o homem melhorar o seu interior. (*) É MÉDICO