Opinião
Feliz ano-novo, o ano todo!
| José Medeiros * Gosto de observar as pessoas quando chega um novo ano. Elas carregam consigo desejos de mudança. Algumas buscam forças externas durante a virada: pulam sete ondas, fazem a simpatia da lentilha, usam roupas com a cor da sorte. Há uma certa magia, escondida por trás da esperança de um novo tempo, que nos faz acreditar que realmente vivemos o fim de uma história e, conseqüentemente, o início de outra, cheia de possibilidades e de novos recomeços. Em geral, esses desejos são deixados pra trás nos primeiros dias de janeiro, o que é lamentável quando assim acontece. Pois precisamos viver um ano-novo, o ano todo. Não é justo que deixemos que a esperança de renovação se vá tão cedo. É necessário que não a deixemos partir com o verão, que ela resista ao outono, suporte os rigores do inverno e ressurja na primavera, iniciando assim um novo ciclo e com ele o desejo de sermos melhores: mais amigos, mais companheiros, mais felizes, mais humanistas. ?... Adeus ano velho / Feliz ano-novo / que tudo se realize / no ano que vai nascer!..? Cantei essa musiquinha com prazer, com ênfase, como desejo sincero que estendo aos que conheço e aos que não conheço, também. Frustrações, problemas, quem não os teve no ano velho? É necessário persistir, persistir sempre, mudar o que se pode mudar, no ano que se avizinha. É demais pensar assim? Conforta-nos a esperança de dias melhores. Nada é fácil, mas por que não tentar? O que seria de nós, se não fosse essa capacidade de renovar a nós mesmos, superando obstáculos, traduzindo sinais, convocando parcerias, demonstrando amor? Nada seríamos, nada teríamos. Podemos, sem sombra de dúvidas, contemplar os céus e demonstrar toda nossa admiração pelo grande mistério da vida, que é o de estarmos vivos e podermos olhar para dentro de nós mesmos, dizendo: é tempo de recomeçar... Recomeçar o que não foi possível concluir ou começar o que ainda nem foi iniciado. Não interessa o ponto do trajeto, interessa o querer fazer diferente, sabendo que cada etapa representa uma fase única, impossível de voltar atrás, mas que a seguinte será única também, e que, principalmente, isso está ao nosso alcance, desde que saibamos dizer a nós mesmos: é tempo de recomeçar! (*) É médico e ex-Secretário de Educação e de Saúde.