Opinião
Dia Mundial da Paz
| Dom Fernando Iório * Teve o Papa Paulo VI feliz e clarividente intuição quando, em 8 de dezembro de 1967, instituiu o Dia Mundial da Paz, fixando o primeiro dia do ano para sua comemoração. Ano após ano, de então até hoje, foi-se consolidando esse dia, com experiências fecundas de reflexão sobre a necessidade da paz. A mensagem, que nos chega da Gruta de Belém ? Paz na terra aos homens amados por Deus ?, torna-se motivo de intensa esperança na certeza de que o amor de Deus, plenamente revelado no Filho encarnado, é o fundamento da paz universal. Acolhido no recôndito do coração, esse imenso amor do Filho é a base da reconciliação do ser humano com Deus, consigo mesmo e com a natureza, gerando aquela ânsia de fraternidade capaz de superar a tentação da violência e da guerra. Não obstante os muitos e complexos problemas que tornam árduo e, não poucas vezes, desalentador o caminho da paz, nem por isso deve esmorecer o desejo de procurá-la, sempre. Basta dizer que a paz se encontra, fortemente, enraizada no coração do ser humano. Evidencia-se, cada vez mais, a certeza de que a humanidade, embora marcada e chagada pelo pecado, violência e ódio, não deixa de ser chamada por Deus a formar uma única família, promovendo relações harmoniosas entre as pessoas e os povos, através de uma cultura comum de abertura ao transcendente, visando à promoção humana e ao respeito pela natureza. O terceiro milênio encontra-se ligado a essa mensagem de amor, de paz e de reconciliação que traduz as mais autênticas aspirações da humanidade do nosso tempo. Deixou-nos o século 20, como herança, uma triste advertência: ?as armas não resolvem a questão da paz?, vez que alimentam ódios profundos, criam situações de injustiça, incinerando a dignidade e os direitos das pessoas. João Paulo II disse, certa feita: ?Com a guerra quem perde é a humanidade?. Além do mais, só tendo paz e nela procurando realizar-se na vida é que se pode garantir o respeito pela dignidade da pessoa humana. Não sem razão, interroga uma canção brasileira: ?Que será?! Que será...? Será que o terceiro milênio decorrerá sob o signo da paz entre povos e nações? Ou caminhará da maneira como vai? De certo, só haverá paz na medida em que toda a humanidade convencer-se de que a sua vocação primordial é ser uma única família. Essa certeza deverá realizar uma inversão de perspectiva, no sentido de que em tudo deve prevalecer não o bem particular de uma comunidade política, étnica ou cultural, senão o bem da humanidade. (*) É bispo de Palmeira dos Índios.