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A menina que disse n�o!

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DOM EDVALDO G. AMARAL * A jovem cristã encontra-se algumas vezes em circunstâncias tais, em que é preciso dizer um não na defesa de sua pureza, no seu valor de mulher, imagem e semelhança de Deus. Este não é mais positivo do que qualquer outra palavra. Foi o que aconteceu à beata Laura Vicuña, nascida em Santiago do Chile a 5 de abril de 1891, de família modesta pelo lado da mãe camponesa, mas de projeção social pelo pai, Domingos Vicuña, militar envolvido na política. Com a queda do regime político e a morte de seu esposo, d. Mercedes, a mãe de Laura e de sua irmã Júlia resolve emigrar e, atravessando os Andes com suas duas filhinhas, termina indo parar em Junin de los Andes, na vizinha Argentina. Lá, d. Mercedes, para sua desgraça espiritual, ao mesmo tempo que para sua manutenção econômica, encontrou um rico e cruel fazendeiro, Manuel Mora. Este homem, possuindo duas grandes estâncias, era o rei absoluto daquela região e nunca podia imaginar que alguém o enfrentasse ou desobedecesse aos seus caprichos, por mais absurdos que fossem. A mãe de Laura foi para sua companhia, esperando que ele a desposasse, mas acabou ficando como sua simples amante, para satisfazer todos os seus desejos. Sua última mulher ele a repudiou, após havê-la marcado com o ferro com que marcava seus bois. Enquanto isso, Laura, de nove anos, e sua irmã mais nova eram aceitas no Colégio das Irmãs Salesianas, em Junin de los Andes, iniciando uma bela trajetória de progresso espiritual e verdadeira santidade juvenil. Laura tinha discernimento superior à sua idade. Suas maneiras, quase senhoris, inspiravam graça, suavidade e modéstia. Seu inocente coração só achava gosto nas coisas do Espírito e nos interesses da santificação de sua alma. Sua piedade ? embora se tratasse de uma menina em seus verdes anos ? era sincera, séria e sem nenhuma afetação ou exibicionismo. Afora a situação irregular de sua mãe, que muito a afligia, tudo corria bem para Laura nos quatro anos que passou interna no Colégio das Irmãs. Crescia na piedade, nos estudos e na busca de uma perfeição sempre maior, no sistema educativo salesiano, usado pelas Filhas de Maria Auxiliadora. Faz sua 1ª Comunhão e recebe com fervor o Sacramento da Confirmação em seu colégio. Atemoriza-a o ter que passar as férias em casa com a presença do carrasco de sua mãe. Reza em seu íntimo: ?Meu Jesus, eu me consagro toda a Vós e à vossa Mãe Santíssima. Vou passar as férias em casa, mas aconteça o que acontecer serei somente vossa. Antes morrer que vos ofender?. E aconteceu o esperado. Num baile promovido pela festa de marcação dos novos bezerros, o monstro que escravizara a mãe, pretende escravizar também a filha. Laura então ostentava uma beleza invulgar, que chamara a atenção do perverso Mora. Convida-a para dançar com as piores intenções. ?Vem, santinha, vamos dançar?. Laura responde-lhe com um solene não! Ele fica estupefacto por essa corajosa recusa, que jamais imaginara. Cego de ódio, atira a menina pela porta afora e amarra d. Mercedes numa coluna do alpendre, ameaçando marcá-la com o ferro em brasa, como fizera com sua última mulher. Os participantes da festa, com rogos e pedidos, fazem-no recuar da infame tentativa. A partir daí, a vida de Mercedes se complica porque o fazendeiro cruel nega-lhe a ajuda para manter a menina no colégio. As irmãs recebem-na gratuitamente por seu excepcional comportamento de uma verdadeira santinha. Laura adoece gravemente e oferece sua vida a Deus pela recuperação moral da mãe. Na hora de sua morte, Mercedes promete-lhe abandonar aquele homem, que dois anos depois morre apunhalado. Márti do amor filial, Laura morreu com 13 anos incompletos e foi beatificada por João Paulo II em 3 de setembro de 1988 na colina natal de D. Bosco nos Cecchi (Norte da Itália). (*) É ARCEBISPO DE MACEIÓ

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