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Amiga de Alagoas

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| Zaida Lins de Lima * Ainda menina, conheci Leda Collor de Mello. Com Arnon de Mello, eleito governador de Alagoas, participava de almoços ou jantares na casa de amigos, onde a via. Parecia-me pessoa de difícil acesso. Culta e sempre cercada por um grupo de mulheres intelectuais, ou não, denotava altivez e boa educação. Sua escolha seletiva, não isolava, entretanto, as menos informadas. Naquela época apesar da pouca idade, observei seu grande apoio ao marido. Fez o que se espera de uma primeira dama: empreendimentos sociais e culturais. Estendeu sua ação aos municípios em benefício dos alagoanos. Começou pela LBA, que já funcionava. O comando lhe foi transferido diante da programação cívica e de longo alcance. Assumiu, incorporando, a direção da Cruz Vermelha. A assistência social teve a sua vez, funcionando, efetivamente, com empenho. Aí então, o povo sentiu de perto, a presença de uma grande mulher. Os alagoanos jamais haviam percebido uma atividade social tão intensa emanada do palácio Floriano Peixoto. Tudo através de uma mulher de governador que, além de se preocupar com a pobreza, criou o núcleo das Bandeirantes, similar aos Escoteiros. Obteve êxito e repercussão entre as meninas e moças da década de cinqüenta a sessenta. O lema era ajudar o próximo praticando boas ações. Dona Leda trouxe para Maceió diversos grupos teatrais do Sul do País para se apresentar no Teatro Deodoro que passou por um período glorioso em atividades artísticas. Atraiu, inclusive, a orquestra Sinfônica de Eliezer de Carvalho, incentivando a vida cultural no Estado ao tempo em que estimulou a instalação da Aliança Francesa. Ali, reuniu muita gente de boa cepa e promoveu concursos com prêmios de ida e volta a Paris. Para arrematar, conclui-se que aquela gaúcha filha de Lindolfo Collor, fez-se estimar e respeitar pelas suas qualidades de liderança investindo com seriedade no propósito de transmitir ao alagoano todo ensinamento que trouxe de berço. Dona Leda fundou a Sociedade de Cultura Artística de Alagoas, promovendo a vinda dos Pequenos Cantores de Provença, do Grupo de Cantores de Pamplona, da Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro Eliezer de Carvalho. Atualmente, foi criada a Medalha Leda Collor de Mello, sendo agraciadas várias personalidades de Maceió. Podemos asseverar ter sido dona Leda a primeira dama mais culta que Alagoas já possuiu, sendo digna dos maiores aplausos dos alagoanos. (*) É escritora.

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