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Opinião

Os jovens, o �lcool e as madrugadas

| José Medeiros * Acredite você, caro leitor, na última década, a expectativa de uma vida mais longa, entre os jovens brasileiros, está diminuindo a cada ano. Ela se amplia para adultos e idosos. Em relação aos jovens, são responsáveis por esse decréscim

Por | Edição do dia 10/01/2007 - Matéria atualizada em 10/01/2007 às 00h00

| José Medeiros * Acredite você, caro leitor, na última década, a expectativa de uma vida mais longa, entre os jovens brasileiros, está diminuindo a cada ano. Ela se amplia para adultos e idosos. Em relação aos jovens, são responsáveis por esse decréscimo: homicídios e acidentes com veículos automotores. Os homicídios são responsáveis por 39,7% das mortes e os acidentes de trânsito, por 17,7%. Na maioria dos casos citados, os jovens haviam abusado do consumo de álcool em festanças noturnas. Há um progressivo aumento do consumo de álcool entre jovens e adolescentes. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe a venda de qualquer tipo de bebida alcoólica para menores de 18 anos. Essa regra – se é conhecida – não é obedecida. Durante o carnaval do ano passado, em estados vizinhos, análises de necropsias de pessoas jovens, que morreram em acidentes, mostram que elas apresentavam álcool na corrente sanguínea, em níveis mais elevados que o permitido por lei para dirigir veículos. Como as bebidas alcoólicas fazem parte da vida em sociedade, as crianças aprendem cedo, com o exemplo dos pais. O “álcool social” entra na vida dos adolescentes como um fato natural. Eles acompanham o que fazem os amigos, que nessa fase da vida, são seus conselheiros. Dirigir, depois de beber umas tantas doses, torna-se um perigo real, tem cheiro de desastre e pode ser roteiro de catástrofe. Quem se der ao trabalho de reler os jornais da cidade, nos últimos 4 meses, encontrará notícias de duas dezenas de mortes de jovens em acidentes automobilísticos noturnos, por culpa da ingestão excessiva de álcool. Mortes evitáveis, que provocaram dores, aflições, angústias e sofrimentos para familiares e amigos. O caso, que passo a relatar, esteve bem próximo de nós. Dona Zélia, na varanda de sua casa, em plena madrugada, espera pelos dois netos que saíram para uma festa no interior e não haviam voltado, até às quatro da manhã. Ela está triste e preocupada. De repente, o ruído da chegada de um automóvel causa-lhe sobressalto. Chama pelos netos. Ouve a voz deles. Sossega. Lágrimas de alegria descem ao longo de sua face! Como matriarca e mais idosa, resolveu reunir a família, conversou com os pais e os jovens e fez com que repensassem limites em relação ao álcool e drogas. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.

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