Opinião
S�mbolos do descaso - Editorial
Emblemático, o fato de ser colocado à venda uma máquina perfuradora de poços artesianos em pleno Sertão, num momento onde vários municípios padecem da seca. Certamente, a perfuratriz colocada em hasta pública deve ter lá seus problemas técnicos (pela foto, parecia uma sucata), mas o digno de nota é que aquela velha máquina é a única para realizar a primordial função de perfurar poços artesianos na região. Como o equipamento está sendo colocado à venda pelo órgão encarregado de fazer frente aos malefícios da seca, alguma coisa errada se anuncia. Emblemática, a perfuratriz (prestes a ser descartada) representa a falta de continuidade das ações de enfrentamento da seca em Alagoas. Ao se descartar tal máquina, fica claro que a principal opção deixou de ser a busca de fontes perenes de água potável (poços artesianos o são). E qual a forma de mitigar a sede do nordestino nessas áreas nas quais uma perfuradora de poços seria de grande valia? Infelizmente, não parecem ter sido encontradas formas que garantam um mínimo de segurança e perenidade às fontes d?água potável. Os caminhões-pipas estão sendo sugeridos como a ?solução? para o secular problema. Que sejam usados os caminhões-pipas nas emergências, mas a seca nunca foi uma emergência no sentido que é um fenômeno natural, cíclico e perfeitamente previsível ? o que possibilita todas as condições para planejamento e conseqüente aplicação de ações práticas de defesa das populações sertanejas em relação a essa ocorrência climática típica da região. Poços artesianos, açudes, cisternas e outras formas de captação e acumulação d?água seriam produtos eficientes de um mínimo de planejamento. Para essa política, uma perfuratriz é pouco, mas em se tratando de alimentar a indústria da seca, tal máquina passa a ser indesejável.