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Opinião

Pequenos gestos de grande significado

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| Benedito Ramos * O processo de inclusão social, num país de extremos desníveis como o Brasil, se dá, muitas vezes, em gestos pequenos, mas significativos. Cenas que poderiam passar despercebidas na fluidez do mundo hodierno. É o exílio a que está submetida, a maior parte do mundo civilizado, da riqueza do planeta, da alegria e dos prazeres da trivialidade. Ninguém imagina a distância do visível e quase tangível quando se é facilmente ignorável. O mundo dos excluídos é um mundo de fantasmas para os seus entornos. Pode-se imaginar alguém nunca ter ido a um shopping? De nunca ter subido uma escada rolante? De nunca ter lanchado numa praça de alimentação? Imagine olhar pela primeira vez as luzes, a decoração do natal, a neve falsa se estendendo como um tapete e os anjos dourados pendentes acima de sua cabeça. Imagine ver a alegria no rosto de toda aquela gente azafamada com sacolas de compras, no burburinho de suas vozes, misturadas às musicas do natal. E como será a sensação de andar, como que invisível, no meio de todos, considerando que ninguém percebe a sua presença? Ah! É natal e o semblante das pessoas é de uma alegria inconfundível. Parece não haver crueldade ou uma indiferença sequer, sobretudo, nas catedrais do consumo. E o que me diz, leitor, de ganhar presente das mãos do próprio Papai Noel? Como voltar para casa lembrando de uma mesa farta? Que tal trazer nas mãos uma cesta de Natal repleta de coisas gostosas? Melhor ainda, de não precisar competir com seus vizinhos, na disputa de alguma coisa aproveitável. De não precisar correr ferozmente para ser o primeiro. Ou, de não ter medo de ficar sem nada quando tudo acabar. Não dá, leitor, não dá para ter educação nestas horas. Estar do outro lado é saber valorizar uma cesta básica, recebida no Natal, como se fosse uma verdadeira ?cesta de natal?. É ter o prazer de saber, que há alguma coisa para matar a fome, numa data em que as pessoas se fartam e desperdiçam até. Não ter a mistura é o mínimo, para quem não teve durante o ano inteiro. Por isso, o brilho melancólico de alegria nos olhos, é o mesmo. A realidade é que, o verdadeiro sentido do Natal é para poucos. Diz a Bíblia que José e Maria procuraram uma casa para ficar e não encontraram. O menino Jesus teve que nascer numa estrebaria. Quantos abrem as suas casas para receberem aqueles que realmente precisam de um lugar para passar o Natal? Quantos os levam para passear e comer com eles? O Natal é o único momento em que a face do doador deve aparecer. O prazer de doar é bem maior que o de receber. Experimentem! (*) É escritor e historiador ([email protected]).

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