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Opinião

Caminho da ro�a

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| Dom Edvaldo G. Amaral * Li com emoção (velho se comove facilmente) o número de fim de ano da publicação da nossa CPT com o título que encabeça este artigo. São quatro páginas apenas, porque publicação de pobre só pode ter mesmo quatro páginas; não é nenhum dos grandes jornais da mídia nacional, com suas edições dominicais de mais de cem páginas, mas são quatro páginas que retratam com vigor e com sangue ?a caminhada, a espiritualidade e a partilha? dos que se preocupam com as injustiças, sobretudo no campo, com a exploração do trabalhador rural, com o sofrimento dos que não têm um pedaço de terra para plantar. Fala-se ainda do documentário sobre trabalho escravo, a 5ª Feira Camponesa e a semente de esperança que está plantada há oito anos (estive lá) no acampamento da Flor do Bosque. Parabéns por tudo e minhas congratulações pelo trabalho que está continuando. Mas eu fiquei pensando: e o povo? Onde está o poder do povo? O poder do povo é o voto. Só há duas alternativas: ou o voto ou as baionetas. Mas, diz o dominicano Frei Betto, em seu erudito livro ?A mosca azul?, que ?a democracia é o regime em que o povo vota, mas não governa?. E, no Brasil dos nossos dias, estamos vendo isso gritantemente. O povo votou e se colocou no cimo do poder com um metalúrgico de carisma popular. Mas ao seu lado estão: um alto representante do empresariado mineiro, um membro de destaque da comunidade financeira internacional, os que sempre governaram o País, além dos corruptos e ladrões do dinheiro público, que se locupletaram às custas do povo sofrido. Disse a senadora alagoana, candidata à Presidência, que depois que os oriundos do povo pisaram os tapetes de luxo dos palácios esqueceram sua origem. Eu vi com muita tristeza em uma de minhas queridas visitas pastorais, em Joaquim Gomes, as filas de ônibus fretados pelos usineiros de Minas para levar trabalhadores para o sudeste do País. Também um amigo, expoente da agroindústria sucroalcooleira, explicava-me que um alqueire de terra em Minas produz várias vezes mais do que igual extensão em Alagoas e que a grande indústria canavieira de nosso Estado corre o risco de definhar. São esses fatos que interpelam a nossa consciência cristã, clamam justiça para o campo. Nossa esperança ainda é que o novo Congresso seja melhor do que o anterior. O ponderado e sempre muito equilibrado Cardeal Majella, de Salvador, Presidente da CNBB, qualificou como, se não o pior, um dos piores Congressos de nossa história. Nunca se viu tanto aviltamento da representação popular em nossa pátria! (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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