Opinião
Uni�o necess�ria - Editorial
Renascem as esperanças de uma ação mais ampla e mais coordenada contra o crime organizado, isso graças ao anúncio da criação do Gabinete de Gestão Integrada unindo os Estados nordestinos. Tomara que não seja mais uma daquelas decisões pomposas (no momento do anúncio) e esvaziadas (no momento seguinte). Efetivamente, é necessária uma maior articulação entre os Estados de uma mesma região, assim como é indispensável uma ligação permanente entre todas as regiões através de algum centro de informações de abrangência nacional. O crime organizado, há muito, deixou de se circunscrever aos limites estaduais. Faz tempo que as quadrilhas migram entre Estados e regiões, além de manterem azeitadas as correias de ligação entre bandos que atuam em diferentes áreas do Brasil. Seqüestros, roubos de cargas e veículos, assaltos a bancos ? todas essas ?especialidades? mantêm-se atuantes através de longas distâncias. O crime organizado tem consciência da necessidade de se espalhar e o fazem como se tivessem tentáculos infinitos. As polícias, em contraposição, têm demonstrado pouca capacidade de trocarem informações e praticamente inexistem ações conjuntas entre forças de mais de um Estado. A burocracia tem sido capaz de anular a natural eficiência dos meios contemporâneos de comunicação e até a internet perde velocidade quando a questão é seu uso pelas entidades policiais. Mesmo com bastante atraso, é salutar o anúncio da articulação entre as forças de segurança pública dos nove Estados nordestinos. Como dito, renasce a esperança de que as polícias possam atuar em conjunto. Assim como outros tantos problemas que afligem a população brasileira, o crime organizado só poderá ser eficientemente combatido se lhe for dado um enfrentamento baseado na inteligência e na ação conjunta das polícias.